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Panorama sobre o vício de internet nas crianças e nos adolescentes

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Você já parou para calcular quantas horas do seu dia são dedicadas ao computador e ao celular? É fato que esses aparelhos estão incorporados na rotina de crianças, adolescentes, adultos e, inclusive, idosos. Mas devemos abrir os olhos porque o vício em internet é uma doença e causa danos à nossa saúde física e, principalmente, mental.

Independentemente do dispositivo eletrônico pelo qual o indivíduo acessa a internet, o uso excessivo interfere na vida cotidiana a ponto de prejudicar o rendimento escolar, o desempenho no trabalho e até os relacionamentos. Porém, nem sempre é fácil reconhecer os sintomas, já que eles vão se instalando aos poucos.

Neste artigo, vamos apresentar alguns dados, as causas, os sintomas e o que fazer para tratar o vício em internet — em especial, entre crianças e adolescentes. Boa leitura!

O que é o vício em internet?

Esse distúrbio nada mais é que um mecanismo de fuga emocional para obter prazer e fugir da dor. Ele gera um tipo de comportamento prejudicial à vida de qualquer pessoa, sobretudo, das crianças e dos adolescentes, público ainda mais vulnerável às facilidades e aos encantos das ferramentas virtuais.

Em outras palavras, o vício funciona como uma válvula de escape e, muitas vezes, está relacionado às interpretações da infância e vida intrauterina devido a traumas, excesso de críticas, ausência dos pais ou por má compreensão de alguma ocorrência. Essas situações causam danos à saúde de pessoas em qualquer faixa etária.

O que dizem as pesquisas?

Esse tipo de transtorno afeta pessoas em todo o mundo, mas está mais presente em determinadas culturas, como a americana, a europeia e em algumas nações asiáticas. Os danos causados pelo vício em internet preocupam os estudiosos, já que ele atinge não apenas a saúde física, mas também a mental.

Um levantamento feito pela Chiba University, no Japão, aponta que passar cinco horas diárias diante do computador pode aumentar as chances de ter insônia e depressão. O estudo foi realizado durante três anos com 25 mil trabalhadores. Se em adultos a internet causa malefícios, o que dirá em crianças em fase de desenvolvimento.

No Brasil, o celular é o aparelho campeão para o acesso à internet. Em 2017, segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Fundação Telefônica/Vivo, 97% das pessoas que se conectaram à rede o fizeram pelo dispositivo móvel, principalmente para enviarem ou receberem mensagens de texto, voz e imagens. Os jovens de 20 a 24 anos foram os que mais acessaram no período indicado no levantamento (88,4%).

O uso de maneira comedida é necessário, mas, por outro lado, quem sofre de compulsão por estar sempre conectado sente os sintomas de abstinência parecidos com os das pessoas com dependência química. Logo, em grande parte dos casos, o indivíduo que tem o problema precisa de ajuda para sair da situação da melhor forma.

Quais as causas do transtorno?

As causas do vício em internet são variadas, com destaque para as seguintes:

  • baixa autoestima;
  • insegurança;
  • falta de aceitação;
  • instabilidade emocional;
  • necessidade de alcançar determinado status quo;
  • influência midiática.

Mas o fato de gostar de usar a internet (para fazer compras, interagir nas redes sociais, assistir a vídeos etc.), por si só, não configura vício. Os especialistas no assunto dizem que o problema é quando a prática passa a prejudicar a vida cotidiana. Além disso, eles alertam que o distúrbio não se caracteriza apenas pelo tempo gasto na internet, mas principalmente pela forma como a ferramenta é utilizada.

Crianças que têm todas as necessidades supridas tendem a desenvolver vícios, pois viram adultos sem limites e se recusam a aceitar as frustrações. Já aquelas que sofrem rejeição ou são muito comparadas a outras estão mais sujeitas à compulsão para se sentirem acolhidas e, em boa parte, são fortemente influenciadas pela mídia.

Quais são os sintomas da dependência?

Os sinais do vício em internet englobam tanto o campo psicológico quanto o físico. Acompanhe!

Psicológicos

  • ansiedade e depressão;
  • sentimentos de culpa e medo;
  • isolamento e solidão;
  • alterações de humor;
  • desinteresse por tarefas cotidianas;
  • dificuldade para cumprir horários;
  • euforia ao utilizar o computador ou o celular;
  • agitação;
  • forte mecanismo de defesa.

Físicos

  • insônia;
  • descuido com a higiene pessoal;
  • dores de cabeça, no pescoço e na lombar;
  • olhos secos e demais problemas de visão;
  • alimentação compulsiva ou falta de apetite (que resulta no ganho ou na perda de peso).

Por que prejudica mais as crianças e os adolescentes?

Existe uma pressão social para que as pessoas estejam sempre conectadas e saibam sobre tudo o que acontece no mundo de maneira imediata. Quando não atingimos essa expectativa e isso nos causa sofrimento, devemos nos questionar se, de fato, precisamos ou temos a obrigação de atendê-la.

Há indivíduos que ficam muito tempo na internet porque é o momento em que conseguem alcançar um estado de bem-estar maior e esquecer provisoriamente os problemas e as aflições. Nesse caso, o vício pode ter relação com a ansiedade e a depressão, e o ambiente online serve para aliviar o sofrimento e preencher o vazio.

Embora os efeitos do distúrbio atinjam qualquer pessoa, as crianças e os adolescentes são vítimas fáceis das armadilhas do universo virtual. Por isso, pais e educadores precisam ficar de olho no comportamento dos mais novos, colocar limites em seus hábitos compulsivos e buscar ajuda especializada se a situação fugir do controle.

Como as funções executivas ainda estão em desenvolvimento nessa fase, os efeitos do vício podem ser devastadores, o que requer uma atenção maior dos responsáveis. Afinal de contas, as crianças e os adolescentes não estão preparados para tomarem decisões, planejarem suas vidas e controlarem determinados impulsos.

Como sanar o problema?

O vício em internet dá origem a doenças que precisam ser tratadas, além de ter características idênticas às observadas em quem usa substâncias psicoativas. O distúrbio provoca alterações no sistema nervoso central e, consequentemente, no comportamento.

Portanto, é fundamental buscar o auxílio de um profissional especializado para saber como solucionar o problema. A depressão é um exemplo de quadro que exige acompanhamento psicológico e, dependendo da situação, combinado com o uso de medicação prescrita por um psiquiatra.

Também é preciso lançar mão da psicoterapia individual, pois ela ajuda na compreensão dos gatilhos que levam crianças e adolescentes a recorrerem à internet. Além disso, o método é imprescindível para identificar os distúrbios emocionais e encontrar caminhos para saná-los.

O vício em internet é um sério distúrbio da vida moderna que precisa ser estudado e debatido dentro e fora do ambiente acadêmico e escolar. Ao levar o tema para a sala de aula, o professor propicia a reflexão, contribui para o senso crítico dos alunos e estimula a mudança de hábitos e comportamentos.

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