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Universo masculino na telona

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Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Quando chegou aos cinemas, o título em português “O que os homens falam” parecia indicar se tratar de uma comédia romântica (algo na linha Do que as mulheres gostam, em versão masculina). Mas o filme espanhol dirigido por Cesc Gay e estrelado por gente como Javier Cámara e Ricardo Darín, passa longe dos estereótipos do romance. A bem da verdade, embora trate principalmente de relacionamentos, o longa tem pouco de romântico, buscando, muito mais, debater as alegrias e as dificuldades da vida a dois.


Depois de dez anos, amigos seguem conversando com a mesma sinceridade.
[FONTE: Posts temperados

O roteiro se estrutura a partir de cinco pequenas histórias que pouco se conectam. Temos o reencontro acidental de dois amigos que não se viam há dez anos; um homem que tenta, desajeitadamente, reatar com a ex-esposa; um marido traído que senta para conversar com seu rival; um recente pai que, no trabalho, busca um caso extraconjugal; e os diálogos que dois amigos levam com as esposas um do outro a caminho de uma festa. São vislumbres de muitas vidas, que, embora breves, nos trazem toda a complexidade do amadurecimento desses personagens, a maioria na casa dos 40 ou 50 anos.

Percebemos como esses homens estão vivendo momentos de reflexão sobre o que conquistaram e o que perderam até então, avaliando seus sonhos de juventude sob o peso da realidade construída e medindo o sucesso de seus relacionamentos e os erros e acertos nas apostas da vida. Eles estão na idade de pensar sobre O Ciclo da Vida Humana, já que, afinal, o tempo passa para todos, e as decisões que tomamos são, muitas vezes, mais definitivas do que gostaríamos.


O “outro” e o marido: uma conversa difícil no banco da praça
[FONTE: Cinema com recheio

O que os homens falam se mostra uma grata surpresa, colocando na tela a leveza e o riso que se esperariam do gênero, mas suscitando questionamentos que bem poderiam estar em algum intrincado filme cult francês. Como lidar com os medos da vida adulta? Como voltar atrás depois de uma má decisão? O que fazer diante da infidelidade? Quais os limites e até onde vai a cumplicidade entre amigos? Como todo bom roteiro, o longa não oferece respostas: seu papel é plantar a pulga atrás da orelha e desaparecer em um sutil fade out que convida o espectador a levar as perguntas para casa.


Um filme feito por homens, mas para homens e mulheres
[FONTE: Carta Capital

Ainda contribuem com o filme as competentes atuações de todo o elenco e a direção inteligente da câmera. Assim, nos sentimos, ao mesmo tempo, voyeurs e íntimos dos homens que ponderam sobre suas vidas na tela. No fim das contas, o título que parecia direcionar o público a outro tipo de filme é o mais sincero que se poderia ser: o longa de Cesc Gay é exatamente sobre o que os homens falam (e pensem e sentem). 

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