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Renovação Radical

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Em Renovação Radical, o renomado autor Henry Mintzberg apresenta uma concepção de mudança necessária a ser feita no mundo. Ele define a tese como uma “estratégia para restaurar o equilíbrio e salvar a humanidade e o planeta”. Na obra, ele critica a forma como diversas questões são encaradas pela sociedade atual, em uma abordagem com preocupação humana e ambiental. O autor, um dos mais conceituados administradores da atualidade, contrapõe o pensamento econômico que rege as relações na atualidade, defendendo uma estratégia baseada no humanismo, na democracia e na preocupação mútua entre as pessoas.

Ele aponta que, atualmente, o mundo vive uma crise de “externalidade”, ou seja, em nome da liberdade individual, estamos sofrendo com o individualismo, em que cada pessoa ou instituição tenta obter o máximo de si, mas ignora as necessidades da sociedade e do planeta. Por exemplo, enquanto alguns obtêm benefícios com os produtos feitos em uma fábrica, todos os outros pagam o preço de conviver com o ar poluído. “O que muitos de nós podemos pagar, o nosso planeta não pode: nossos microcomportamentos estão reproduzindo uma macrodestruição”, afirma.

mintzberg
Para recuperar este equilíbrio, Mintzberg aponta que é preciso mudar nosso próprio conceito de mundo, inclusive reformulando a dicotomia política de esquerda e direita, já existente há dois séculos. Para ele, tanto o capitalismo quando o comunismo se mostraram fatalmente falhos. Enquanto isso, o poder privado prospera, as grandes corporações enriquecem comemorando a liberdade do mercado, e o mundo cai no desequilíbrio econômico.

A solução, para ele, está no que chama de “setor plural”, que tem seu lugar ao lado dos setores público e privado e pode liderar o processo de reequilíbrio da sociedade. É o caso de cooperativas, organizações não governamentais (ONGs), sindicatos, ordens religiosas, alguns hospitais, universidades e associações em geral, que podem incluir movimentos sociais. O setor plural compreende todas as associações de pessoas que não são de propriedade do Estado nem de investidores privados, as quais podem ser mais flexíveis e igualitárias, facilitando as conexões entre pessoas. Segundo ele, o importante para um desenvolvimento saudável — social, político e econômico — é que o poder alterne entre os setores, de acordo com a necessidade, “em um equilíbrio dinâmico que incentiva a capacidade de resposta sem dominação”.

Por isso, Mintzberg aponta que a renovação radical deve começar nesse setor plural, na base da sociedade, com movimentos e iniciativas sociais. “É nas comunidades que as pessoas têm a inclinação e a independência para enfrentar problemas difíceis”, defende. O aquecimento global, por exemplo, não será revertido sem uma ação coletiva, por meio de indivíduos, instituições e nações. No espírito do equilíbrio, todos os setores podem tomar atitudes: a empresa responsável, preocupada com as necessidades legítimas de todas as partes interessadas; e a democracia engajadora, que busca a ampla participação dos cidadãos. Ao mesmo tempo, estão as ações da população, do setor plural.

Ele usa o Brasil como exemplo de país que conseguiu aplicar isso em alguns elementos, definindo a população brasileira como guiada pelo espírito do “por que não?”, o que considera um ingrediente primordial para uma mudança social criativa. Ele cita o fato de o país apostar no etanol como alternativa de combustível; investir na participação da comunidade para se elaborar orçamentos de municípios; ser o berço do Fórum Social Mundial e o país onde prosperou a teologia da libertação.

A partir desses exemplos e ensinamentos, o professor aponta, por fim, que essa mudança pode partir de cada pessoa, que pode começar a agir sem esperar que haja um movimento por parte de seu governo ou empresa. Isso pode ser feito tanto se unindo a movimentos já existentes quanto percebendo as atitudes que são necessárias para mudar o meio-ambiente ou a sua comunidade.

Parece pretensioso, mas o professor canadense já começou ele próprio a por em prática os ideais que defende na área da educação e formação profissional. Ele é o criador de um programa alternativo aos MBAs tradicionais, onde os executivos discutem sobre suas próprias experiências e dos colegas, tornando os professores apenas facilitadores do aprendizado, além de ter também fundado uma empresa focada em desenvolvimento organizacional, chamada CoachingOurselves (Ensinando a Nós Mesmos), que promove a educação entre os próprios colegas.

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