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Como criar um projeto robusto de EAD no Ensino Superior

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Foto: Shutterstock

Ensino remoto de emergência não é EAD. Essa é uma das lições da crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus. Outra lição: não há mais como fugir do uso de tecnologias na educação. Veja como estruturar um projeto robusto de EAD no Ensino Superior.

Mas como saltar de um período temporário e emergencial de aulas remotas para um projeto robusto de EAD no Ensino Superior? Saiba de antemão: para além de investimento em tecnologia e conteúdo de qualidade. É muito importante engajar gestores, professores e alunos no projeto.

Liderança dos gestores

Primeiramente, o começo deve ser uma mudança de mindset. Ao se dar conta da importância da educação digital, a alta diretoria precisa se comprometer com um projeto estratégico de EAD no Ensino Superior.

Se a modalidade for vista apenas como um penduricalho, um algo a mais, ela corre o risco de fracassar antes de atingir a maturidade.

Por outro lado, com gestores comprometidos, é possível dar um passo além. E o momento que estamos vivendo é único para isso. Mais do que nunca, é a hora para identificar as oportunidades e as fragilidades da sua instituição. E, assim, instalar um EAD permanentemente.

Algumas perguntas são importantes nessa fase: o corpo docente está preparado para atuar com tecnologias educacionais? A instituição dispõe dos recursos tecnológicos e de um conteúdo de qualidade? E os alunos: como veem a estrutura metodológica oferecida neste período de crise? O que esperam que seja aperfeiçoado no futuro? É fundamental ouvir os estudantes por meio de pesquisas.

Com a diretoria comprometida, além de gaps e potencialidades identificados, é hora de arremangar as mangas e trabalhar com os professores e alunos. é hora de sensibilizar a equipe docente sobre os benefícios da EAD no Ensino Superior e comunicar a ideia de maneira efetiva aos alunos.

Capacitação dos professores

A promoção de uma cultura de EAD dentro de qualquer instituição depende do trabalho dos professores. O desafio, nesse caso, é engajá-los em um projeto mais robusto tendo em vista que muitos deles ainda podem ter pouca familiaridade com a tecnologia – e até aversão à ela.

A desconstrução de alguns mitos relativos ao ensino a distância ajuda. Afinal, há docentes que acham que a modalidade exige uma carga de trabalho maior ou temem as plataformas digitais simplesmente porque não as conhecem.

Informação e capacitação são a saída. Treinar professores é um processo chave para o sucesso de qualquer projeto EAD no Ensino Superior. Isso passa, em primeiro lugar, por convencê-los a verem a docência sob uma nova perspectiva.

Papel do professor no EAD

Na EAD, o trabalho do professor é mais de um curador de conteúdo e mediador do processo de aprendizagem dos alunos. E esse conteúdo, é importante deixar claro, não precisa ser desenvolvido por eles.

Uma dica é iniciar as capacitações instrumentalizando os professores para realizarem a curadoria de conteúdo e a seleção dos meios de ensino. Deixando claro que o que vai guiar seu trabalho são os objetivos e o aprendizado de competências previstas no plano pedagógico.

A gerente de produção da Sagah, Daiana Rocha, explica que os gestores que estão promovendo a migração para a EAD durante a pandemia do novo coronavírus devem disponibilizar todas as ferramentas online possíveis aos professores – como ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) bibliotecas virtuais, catálogos com conteúdo, ferramentas de webconferência.

Além disso, a adaptação fica mais fácil se a diretoria definir uma trilha de aprendizagem simples a ser montada pelos docentes. O conteúdo da trilha pode ser composto apenas por unidades de aprendizagem (UAs), fórum ou webconferência e avaliação.

“Os gestores também podem selecionar os professores mais engajados para disseminarem os conhecimentos para os demais”, diz Daiana, e acrescenta outra atividade importante: “Criar uma rotina semanal de correção de rotas entre os núcleos EAD, coordenadores de cursos e professores”.

Engajamento dos alunos

Não são apenas gestores e professores que precisam passar por uma mudança de mentalidade para atuar na EAD no Ensino Superior. É indispensável que os alunos, por sua vez, mudem de comportamento em relação ao aprendizado.

Essencialmente, a mudança de comportamento significa sair de um estado passivo, quando apenas tentam absorver um conteúdo passado pelo professor, para uma postura ativa. A flexibilidade do EAD permite que eles escolham onde, quando e como estudar.

Dicas para colocar em prática

Cabe a IES disponibilizar conteúdos em diferentes formatos para ter segurança de que todos os perfis de alunos estão atendidos. Essa preocupação deve levar em conta alunos com deficiência. A acessibilidade é um dos critérios do instrumento de avaliação do Ministério da Educação (MEC).

Segundo o gerente de negócios da Sagah, Rodrigo Severo, a melhor maneira de garantir o engajamento dos alunos é estar próximo. Mesmo em um curso a distância. A realização de aulas síncronas periódicas devem entrar na carga horária. Assim, utilizando esses momentos para reforçar a aplicabilidade do conteúdo teórico.

Um dos principais desafios da EAD é criar um senso de pertencimento do aluno com a IES. Mas existem diversas plataformas para que os alunos convivam com seus colegas e professores. Promover essa interação através de trabalhos, pesquisas e atividades é muito importante para que eles se sintam parte da instituição”, afirma Severo.

Os encontros que envolvam idas ao campus também possuem um papel importante na integração. Eles precisam ser aproveitados para que o aluno seja incentivado a frequentar a biblioteca e utilizar outros recursos disponíveis na infraestrutura da IES.

A proximidade ainda exige usufruir de mecanismos de comunicação rápida, como Whatsapp, mensagens e avisos nas plataformas virtuais. Tanto para reforçar avisos sobre avaliações, ou outras demandas pedagógicas, quanto para ter um canal eficiente de suporte.

Por fim, o conselho é monitorar os acessos às plataformas virtuais e criar réguas de relacionamento. A ideia aqui é controlar a evasão. Um aluno que não acessa o sistema EAD há 15 dias, por exemplo, pode receber uma mensagem via Whatsapp. Se não acessa há 20 dias, uma ligação. Mas cada IES define o timing e a melhor abordagem.

Investimento em tecnologia

Não há dúvida de que o investimento em tecnologia é um pré-requisito para o planejamento de um projeto de EAD. “Um projeto bem sucedido precisa ter sistemas robustos, confiáveis e integrados”, resume Rodrigo Severo.

O bom funcionamento da tecnologia, inclusive, terá um papel muito importante no engajamento de alunos e professores. Com as plataformas no ar 24 horas por dia, 7 dias por semana, a pleno vapor e conversando entre si, a confiança na modalidade a distância aumenta.

Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)

Em termos de plataformas, um AVA (ou LMS, na sigla em inglês) integrado ao sistema acadêmico da instituição é o ponto de partida. Além de ser o local de distribuição dos conteúdo, ele agrega informações sobre os acessos. E também de desempenho dos alunos nas atividades.

Assim, é possível ter um mecanismo de monitoramento para evitar a evasão dos alunos.  A IES consegue saber quantos e quais alunos não acessaram o AVA em diversas escalas de tempo.

“É necessário ter dashboards para tomar decisões rápidas. Além de ver quem não acessa, ver quem está com notas abaixo do esperado para fazer intervenções pedagógicas de melhoria do desempenho”, afirma Severo.

Além disso, algumas tecnologias de ponta já fazem parte da rotina da EAD no Ensino Superior. Em resumo, elas incrementam o processo de ensino e aprendizagem, aumentam a interação com os alunos e facilitam atividades práticas.

Realidade virtual e aumentada para EAD no Ensino Superior

A realidade virtual (RV) e a realidade aumentada (RA), por exemplo, estão a todo vapor no setor educacional. Um exemplo da RA: dispondo apenas de um smartphone ou tablet, um aluno da área da saúde pode projetar uma imagem de partes da anatomia humana ou animal. Dessa maneira, facilitando a visualização e a absorção do conteúdo.

Laboratórios Virtuais

Outra opção são os laboratórios virtuais. Com a tecnologia atual, eles são capazes de replicar com alto grau de fidelidade as práticas realizadas em um laboratório físico tradicional. E ainda podem ser acessados de qualquer lugar, em qualquer horário.

Mais de 30 IES puderam atestar isso recentemente. À medida que a pandemia fechou escolas e universidades no Brasil, muitas empresas fizeram parte das soluções para os problemas que surgiram. Na ALGETEC, empresa de laboratórios físicos e virtuais, a ideia foi liberar gratuitamente o acesso a seus produtos.

“Os alunos de Engenharia e dos cursos da área da Saúde precisam ser acolhidos pelas instituições de ensino. Como fornecedores, entendemos que também precisamos acolher as instituições”, afirma Vinícius Dias, diretor da ALGETEC. “Uma vez que o estudante não pode sair de casa, os laboratórios virtuais são imprescindíveis na melhoria da aprendizagem do conteúdo das disciplinas.”

O laboratório virtual, segundo Vinícius, é uma ferramenta moderna, digital e que conversa bem com o aluno atual. Ele gera engajamento e aprendizagem, independentemente da modalidade, seja ela presencial ou EAD. “São vantagens que incrementam o processo de aprendizado do aluno e proporcionam ganhos de eficiência para as IES.”

Conteúdo de qualidade

Um AVA efetivo depende de conteúdos de qualidade e em escala. E a boa notícia é que os professores não precisam desenvolver esses materiais. A Sagah conta com um catálogo de mais de 5 mil unidades de aprendizagem (UAs).

 

Como ressaltamos antes, os professores fazem a curadoria do conteúdo. Eles escolhem elementos para a trilha de aprendizagem que se encaixam nos objetivos pedagógicos. Por fim, a partir desses materiais podem ser criados fóruns, discussões, entre outras atividades.

Mas a dica é sempre apostar em conteúdos objetivos. Trilhas de aprendizagem e atividades muito extensas podem desmotivar os alunos. Para não perder a atenção deles, o corpo docente deve insistir em trazer questões do dia a dia da região em que os estudantes moram. Em resumo, os exemplos práticos são uma boa saída ao serem utilizados sempre que possível.

As metodologias ativas exercem um papel decisivo nesse sentido e seu uso deve ser incentivado pelos gestores. Afinal, elas são mais centradas nas experiências e saberes prévios dos estudantes.

Acesse a Central Coronavírus do Grupo A:

Natália Collor
Natália é Jornalista e atua na Inteligência de Mercado do Grupo A

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    1 Comment

    1. Olá Natália, tudo bem? Parabéns pela matéria. Me chamou atenção a sua chamada no e-mail marketing: “Ensino remoto de emergência não é EAD. Essa é uma das lições da crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus”. Contudo, no material contido na matéria não temos essa plausibilidade. O conceito de EAD estabelecido pelo MEC é único e claro, sugiro referenciá-lo para que leigos possam refletir a respeito da sua afirmação.
      Não obstante, o conteúdo da matéria é de qualidade e pertinente no momento atual.
      Parabéns pelo trabalho e de todo Grupo A.
      At.te

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