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Orientação vocacional e de carreira

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Em tempos de tecnologias presentes 24 horas por dia na vida dos jovens, que já nasceram com forte presença digital em suas vidas, novos desafios surgem no momento de escolher uma carreira. Para auxiliar na transição do Ensino Médio para o Superior, o livro Orientação Vocacional e de Carreira em Contextos Clínicos e Educativos aborda o que há de mais atual e avançado sobre o tema, reunindo profissionais reconhecidos na área, que apresentam modelos práticos e aprovados no trabalho de orientação.

A organizadora do livro, a psicóloga Especialista em Neuropsicologia Rosane Schotgues Levenfus, aponta que “a grande contradição dessa geração é que nunca houve tanta informação disponível, mas ela é acessada de forma rápida e superficial. Assim, as escolhas profissionais são feitas de forma muito equivocada, baseadas em estereótipos e conceitos generalistas”.

Confira a entrevista com a autora.

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Quais os desafios que os adolescentes enfrentam no século 21 e de que forma isso influencia suas escolhas vocacionais?

Os adolescentes de hoje são chamados de Geração Z, que compreende os nascidos no final da década de 90 até o ano de 2010. São conhecidos por serem nativos digitais, totalmente familiarizados com a tecnologia, dispositivos móveis, com fácil acesso à internet e aos rápidos meios de comunicação audiovisual.

Como seus antecessores, Geração Y, tiveram muitos conflitos de gerações no ambiente de trabalho, ao colocarem-se em pé de igualdade com os adultos, pensa-se que a Geração Z saberá lidar melhor com essas diferenças. Deverão aprender que, embora se sintam impacientes e desejam liberdade, no ambiente corporativo existem hierarquias.

Os adolescentes de hoje percebem que a Geração Y ficou acomodada na casa dos pais e que muitos, na casa dos 30 anos, ainda não adquiriram independência financeira. Se houve um pensamento consumista, voltado para a qualidade de vida e com o propósito de ascender rapidamente na carreira, ganhando muito dinheiro com pouco esforço, já é visível que essa expectativa não vingou e que a estratégia terá que ser outra.

A geração atual percebe que longos investimentos acadêmicos, com graduação, especializações, mestrado, doutorado, pós-doutorado, MBA, prolongaram a vida estudantil e não garantiram empregabilidade a altura do investimento realizado. Por outro lado, uma super oferta de cursos tecnológicos, rápidos, mais práticos do que teóricos, não atraem a maioria que busca formação em nível superior. Existe em parte dos adolescentes uma tendência voltada ao empreendedorismo como solução para equacionar o desemprego. Em outro grupo, temerário e ansioso com relação ao futuro, persiste o anseio pela estabilidade advinda dos cargos públicos, burocráticos, mesmo quando seu perfil vocacional não está de acordo.

A grande contradição dessa geração é que nunca houve tanta informação disponível, mas ela é acessada de forma rápida e superficial. Assim, as escolhas profissionais são feitas de forma muito equivocada, baseadas em estereótipos e conceitos generalistas.

.É notável, na maioria, a dificuldade em pensar em médio e longo prazo. O imediatismo tomou conta. Há ideias criativas que não são postas em prática porque demandam tempo. Será preciso aprender a executar tarefas e implementar projetos, e não apenas em sonhar.

A geração atual tem conflitos relacionados a auto-estima e auto-imagem. Como a vida real é diferente da que é mostrada nas redes sociais, muitos se julgam feios, infelizes e desenvolvem dificuldades de relacionamento, apresentando timidez e fobia social. Na esfera laboral, ao tomarem contato com jovens que ascendem de forma espantosa, através da criação de aplicativos, ou da exposição em canais no Youtube, por exemplo, alguns se julgam inferiores e incompetentes. Há grandes equívocos na avaliação pessoal da auto-eficácia.

Talvez o maior desafio do nativo digital seja compreender que as coisas na vida real não acontecem nem do mesmo jeito, nem na mesma velocidade do mundo da internet, onde ele está habituado a navegar.

Quais são algumas das coisas que podem ser feitas para facilitar essa decisão?

É possível facilitar a passagem do Ensino Médio para o Ensino Superior, no que diz respeito à escolha de curso, através de uma série de abordagens. A família funcional que não for ansiosa com o dilema de seus filhos e puder proporcionar momentos de conversas e situações para visitação de espaços profissionais, estará ajudando muito. A maioria das escolas pouco tem investido em projetos consistentes de orientação profissional e educação para a carreira. Há diversas atividades a serem desenvolvidas no contexto escolar.

As universidades têm apresentado diferentes projetos facilitadores nesse momento de transição. Algumas apenas aplicam um inventário de interesses coletivo, sem nenhuma abordagem mais integrada e individualizada, outras poucas têm oferecido projetos mais consistentes.

Psicólogos bem instrumentados na abordagem clínica em orientação vocacional auxiliarão de forma diferenciada, ao realizar diagnóstico das dificuldades em realizar escolhas e tomar decisões, avaliando perfil de personalidade, interesses e trabalhando de forma psicodinâmica com o adolescente e sua família. Muitas vezes a dificuldade na tomada de decisão relaciona-se a problemas de humor, tais como Depressão, Transtorno Bipolar, ou a quadros de ansiedade, TDA-H e outros que, se não identificados e trabalhados, incorrerão em outras dificuldades futuras na carreira, além da escolha profissional.

De uma forma geral, facilitar o autoconhecimento a respeito de habilidades, interesses, auto-eficácia, expectativas familiares, bem como o acesso a informações realísticas acerca das carreiras, mercado de trabalho, através de técnicas bem fundamentadas, é uma importante maneira de auxiliar o adolescente nesse momento.

De que forma seu livro pretende jogar luz sobre estas questões? 

O livro Orientação vocacional e de carreira – em contextos clínicos e educativos reúne material atualizado e consistente para que os profissionais da área psicológica e educacional adquiram bagagem suficiente para aprimorar seu atendimento junto aos adolescentes e suas famílias em diferentes contextos.

Atualiza o leitor a respeito da situação do adolescente no século 21 e oferece modelos para abordagem escolar na esfera pública e privada, desde a pré-escola, até o Ensino Médio. No contexto clínico, aprofunda questões relacionadas à avaliação psicológica e apresenta os avanços na clínica vocacional.

Os principais testes psicológicos aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia são apresentados pelos próprios autores, com informações práticas que extrapolam os manuais.

Por fim, valorizando a prática, o livro oferece diversos capítulos com técnicas individuais e grupais testadas e aprovadas por profissionais experientes na área.

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