Metodologias Ativas

Metodologias ativas: o que são, quais as mais famosas e como aplicar

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Homem mexendo no computador enquanto estuda por metodologias ativas
O computador é um grande aliado das metodologias ativas através dos ambientes virtuais de aprendizagem. Foto: Shutterstock

Metodologia ativa é um conceito amplo, que pode englobar diferentes práticas em sala de aula. Em comum, todas têm o objetivo de fazer do aluno o protagonista, participando ativamente de sua jornada educativa.

A ideia é estimular uma maior responsabilidade do estudante pela construção do próprio saber em instituições de ensino. Assim, ele se envolve no processo de aprendizado de maneira ativa, superando a ideia de aulas expositivas e com pouca interação do tradicional processo de ensino.

Índice
1. O que são metodologias ativas?
2. As vantagens das metodologias ativas
3. Práticas ativas na EAD
4. Exemplos de metodologias ativas de aprendizagem
5. Oito exemplos de metodologias ativas para aplicar em sala de aula

O que são metodologias ativas?

Primeiramente, existem várias abordagens que podem ser trabalhadas isoladamente ou em conjunto em sala de aula. Alguns exemplos incluem:

  • Sala de aula invertida;
  • Aprendizagem baseada em projetos;
  • Design thinking.

Confira outros exemplos no fim deste texto.

Em comum, o desafio de transformar o professor em uma espécie de companheiro da jornada do aluno – e não uma figura isolada e superior, detentora e repassador de conhecimento.

Seja em aulas 100% presenciais ou em modelos como o ensino a distância (EAD), a aprendizagem ativa reflete sobre as diferentes maneiras do processo de ensino e recepção das informações.

Conteúdo de qualidade para EAD

A ideia é proporcionar uma imersão em experiências prévias, permitindo que cada um reconheça as estratégias que melhor funcionam para si. A isso é dado o nome de metacognição, ação fundamental para a educação contemporânea.

Professora aplicando metodologias ativas em quadro branco.

O papel do professor nessa metodologia é ser um mediador. Foto: Pexels

Conhecer a sua própria forma de pensar e aprender faz com que o estudante fique mais empoderado no ambiente escolar. Desde que o professor proponha um objetivo claro, aliado a uma proposta metodológica adequada, o discente terá condições de alcançá-lo ao seu próprio tempo.

Em resumo, isso reforça a importância do aluno, valoriza os saberes prévios para a construção da própria jornada educacional e identifica os recursos que melhor funcionam.

As vantagens das metodologias ativas

Pesquisas comparativas entre métodos de ensino, realizadas nos Estados Unidos e no Brasil, mostram o impacto positivo das metodologias ativas na aprendizagem.

Um estudo conduzido pelo professor da Universidade de Washington, Scott Freeman, comparou as taxas de reprovação e a performance em provas e testes padronizados de estudantes submetidos às metodologias ativas e às aulas expositivas tradicionais. Em média, a performance do primeiro grupo foi 6% superior. Já a taxa de reprovação dos estudantes de aulas expositivas foi 1,5% maior.

No Brasil, um estudo coordenado pelo diretor do Grupo A Educação, Gustavo Hoffmann, através da Universidade Harvard, mostrou que alunos submetidos às metodologias ativas aprenderam em média 9% mais do que aqueles submetidos à exposição de conteúdo. Neste estudo, a metodologia usada foi a sala de aula invertida.

Cabe lembrar a desvantagem da aula expositiva: duas semanas após uma aula tradicional, os alunos tendem a lembrar menos de 30% do que foi exposto pelo professor. Aí reside o grande trunfo das metodologias ativas: ao engajar o aluno com os objetos de estudo, há uma maior fixação do conhecimento.

Práticas ativas na EAD

Mesmo que pareçam estar em lados opostos, tanto o aprendizado presencial quanto a EAD podem usar metodologias ativas. Inclusive, as práticas são ainda mais importantes na experiência de educação remota, já que o modelo exige grande autonomia e comprometimento dos alunos.

E a pandemia causada pela Covid-19 impulsionou o uso de metodologias ativas no ensino a distância. Nesse cenário, elas são utilizadas para superar a mera transposição das aulas expositivas para o ambiente virtual e, assim, manter o engajamento dos estudantes nas atividades.

Fóruns de discussão, chats e tarefas em grupo são os métodos mais conhecidos na EAD. Mas não para por aí. Outras estratégias pedagógicas como o video based learning (VBL) e gamificação também ganharam espaço. A verdade é que, atualmente, não faltam tecnologias educacionais para usar as metodologias ativas na EAD.

Tablet e livros utilizados para aplicação de metodologias ativas.

A aprendizagem é ainda mais dinâmica com as tecnologias. Foto: Pexels

Naturalmente, essas abordagens têm características colaborativas, que surgem como solução para a distância física entre professores, alunos e colegas. Essa interação digital abre caminho para uma aprendizagem mais dinâmica. Nela, o estudante precisa elaborar ideias e manifestar seus saberes publicamente, atuando ainda mais como protagonista de sua aprendizagem.

A educação a distância também está ajudando a acelerar mudanças na sala de aula tradicional. Há uma tendência já consolidada para modelos híbridos, nos quais o estudante tem atividades a distância, com vídeos e exercícios interativos, e encontros presenciais.

O movimento abre mais possibilidades para a figura do professor. Ele pode aproveitar os momentos com a turma para construir atividades mais ricas e centradas na individualidade dos alunos.

O desafio do EAD

O desafio da EAD do futuro será implementar as metodologias ativas de modo homogêneo. Para isso, o foco deverá estar menos centrado nas tecnologias e mais nas competências e saberes de alunos e professores.

No aluno, deve-se preciso estimular a autonomia, a autodisciplina e a maturidade. Já do professor espera-se que atue como um arquiteto cognitivo, selecionando os melhores materiais e estratégias para cada momento da trilha de aprendizagem.

Além disso, nas metodologias ativas, o docente deixa de ser o detentor do conhecimento em sala de aula. Seu papel passa ser o de companheiro e mediador da aprendizagem dos alunos. A mudança de postura em alunos e professores gera uma dinâmica menos conteudista e mais “mão na massa”.

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Exemplos de metodologias ativas

Em suma, modelos de educação tradicional têm no professor sua figura central. É ele quem detém todo o conhecimento. Trata-se da chamada “educação de bancada”, em que o docente determina sozinho o conteúdo de suas disciplinas, deixando aos alunos apenas a tarefa de absorver passivamente as informações.

Com as evoluções social, tecnológica e pedagógica do fim do século 20, o método tradicional ganhou novos contornos. Abriu-se espaço, então, à construção de novos modelos, mais centrados nas experiências e saberes prévios dos estudantes.

É nesse cenário que surgem as metodologias ativas de ensino.

Confira oito exemplos de metodologias ativas para aplicar em sala de aula

Analise as diferentes abordagens e sinta-se à vontade para adaptá-las ao dia a dia de seus alunos.

1. Aprendizagem baseada em projetos (ABP)

A metodologia, também chamada de project-based learning (PBL), faz com que os alunos construam seus saberes de forma colaborativa, por meio da solução de desafios. Assim, o estudante precisa se esforçar para criar, explorar e testar as hipóteses a partir de sua própria vivência. Na prática, é comum o uso de recursos que vão além do livro didático.

Aprendizagem baseada em projetos envolve várias áreas de desenvolvimento.

O educador pode incluir tecnologias como vídeos ou fóruns digitais, além de propor atividades que envolvam elementos concretos – como cartazes e maquetes. A fim de desenvolver nos alunos um perfil investigativo e crítico diante das situações propostas.

O ponto principal é permitir que o estudante busque o saber por si mesmo. E não significa que o professor não deva estar presente: cabe a ele atuar como orientador de caminhos, dando feedbacks e mostrando erros e acertos ao longo do processo.

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2. Aprendizagem baseada em problemas

Enquanto a ABP exige que os alunos coloquem a mão na massa, a aprendizagem baseada em problemas (ABP) é focada na parte teórica da resolução de casos. O método promove a interdisciplinaridade, um dos focos centrais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Aprendizagem baseada em problemas

Aqui se propõe a construção de conhecimento através de debates e júris, discutindo em grupo um problema. Na prática, o aluno estuda um determinado assunto antes da aula. Depois, traz suas dúvidas e dificuldades para o encontro com o professor e os colegas, debatendo sobre sua interpretação.

A metodologia quebra o paradigma de aula tradicional, com disciplinas curriculares distanciadas umas das outras. Assim, a participação de cada um se torna essencial, incentivando o trabalho em grupo e a comunicação entre saberes de diferentes áreas do currículo escolar.

3. Gamificação

Pode-se entender como gamificação a utilização de elementos como jogos e desafios em situações de sala de aula. A metodologia é principalmente utilizada para gerar maior engajamento, motivar a ação, promover a aprendizagem ou resolver problemas de modo criativo.

Gamificação na educação

Dessa forma, o professor gamifica aspectos normais de sala de aula, como aprender sobre ligações químicas. De quebra, conquista-se um maior engajamento dos alunos.

Por mais simples pareça, a gamificação é uma excelente maneira de ajudar estudantes a perderem a resistência diante de temas complexos. Por meio de desafios individuais ou em grupo, é possível promover um maior engajamento em sala de aula.

Cabe ao professor desenvolver dinâmicas atrativas e inteligentes. Que sejam capazes de gerar o aprofundamento didático – e não só um momento de interação coletiva.

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4. Sala de aula invertida

A sala de aula invertida, também chamada de flipped classroom, é uma metodologia ativa amplamente conhecida, derivada do ensino híbrido. Seu diferencial reside no uso da tecnologia – especialmente a internet, pois mistura a experiência digital e de sala de aula, potencializando o aprendizado.

Sala de aula invertida

Logo, a sala de aula invertida funciona em dois momentos:

>> Online: antecede a aula em grupo. É onde o aluno estuda sozinho, aproveitando materiais da internet.

>> Presencial: é onde o aluno compartilha com o grupo sua compreensão do tema, trocando saberes com o professor e os colegas.

Para que a sala de aula invertida funcione, é preciso que os alunos apoiem a proposta, comprometendo-se com o desafio.

No novo cenário, o discente é amplamente responsável pela qualidade do ensino que irá receber. Já do educador espera-se um bom planejamento de aula, capaz de conectar de forma dinâmica e didática os conteúdos trazidos para a classe.

5. Aprendizagem entre pares

Conhecida também como instrução pelos colegas, a metodologia foi desenvolvida na década de 1990 na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Com o propósito de apoiar a aprendizagem durante aulas de Física, utilizando um aplicativo no qual os alunos, divididos em duplas, respondiam questões.

Aprendizagem baseada em problemas é uma das principais metodologias ativas para aprendizagem.

Trabalhos em grupos e discussões ajudam na aprendizagem. Foto: Pexels

Promover o trabalho em duplas mostrou-se extremamente benéfico, tornando mais simples a forma como os conceitos eram explicados. Além disso, contribui tanto na formação do pensamento crítico, quanto na capacidade dos alunos de respeitarem opiniões divergentes.

Na aprendizagem em pares são utilizados os seguintes balizadores para mensurar a compreensão da turma sobre o tema:

>> apresentação das questões em sala de aula pelo professor, para que os alunos respondam em duplas;

>> possibilidade de o professor fazer esclarecimentos pontuais a partir dos questionamentos das duplas;

>> mapeamento das respostas dos alunos à referida questão utilizando o aplicativo;

>> decisão do professor, com base no resultado, entre:

  • em primeiro lugar, explicar a questão, reiniciar o processo de exposição dialogada e apresentar uma nova questão sobre um novo tópico (se mais de 70% da turma acertar a resposta);
  • reagrupar os alunos em pequenos grupos para que tentem explicar o tema uns aos outros (se o percentual de acertos estiver entre 30% e 70%);
  • por fim, optar por explicar oralmente novamente conceito (quando menos de 30% das respostas estiverem corretas).

6. Cultura Maker

Essa ideia do “faça você mesmo” (do it yourself), cada vez mais popular nas redes sociais e em tutoriais na internet, está na essência da cultura maker.

Na educação, a prática ficou mais conhecida por meio das atividades “mão na massa”. Estamos falando do enfrentamento de problemas e desafios por meio da construção de soluções práticas. Mesmo que para isso seja necessário tentar diversas vezes até acertar.

Um dos grandes entusiastas da cultura maker é ex-presidente norte-americano Barack Obama. Para ele essa metodologia ativa é uma das chaves para chegarmos a uma nova revolução industrial.

os benefícios do movimento maker em instituições de ensino vão além, como por exemplo:
  • Desenvolve proatividade;
  • Estimula o trabalho em equipe;
  • Aperfeiçoa a comunicação;
  • Promove a autonomia.

Além de botar a mão na massa, os projetos maker promovem uma interação construtiva entre alunos e professores. Esses dois fatores favorecem o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. As famosas soft skills. Entre as principais delas, podemos destacar a liderança e a criatividade.

Instituições interessadas em aplicar a cultura maker podem investir em espaços e tecnologias para esse fim. Por exemplo, impressoras 3D, laboratórios de robótica, equipamentos de programação, entre outras ferramentas que estimulem a curiosidade e a criatividade dos alunos.

Entretanto, outra vantagem dessa metodologia ativa é que ela pode funcionar sem tanta estrutura. Afinal, qualquer ambiente dentro da instituição e da comunidade em que ela está inserida pode ser explorado.

Dependendo do curso, é possível, por exemplo, criar hortas comunitárias, projetos de saneamento e compostagem de lixo, entre outros.

7. Storytelling

De uma maneira geral, storytelling não é nada mais do que a boa e velha “contação de histórias”. Ou seja, estamos falando de uma das mais longevas ferramentas pedagógicas que o ser humano criou.

Entretanto, com o passar do tempo, sua aplicação na educação ganhou bases científicas e, hoje, se configura em uma série de técnicas de criação narrativa.

Seu ponto forte está em despertar a curiosidade e incentivar a empatia, além de aumentar os níveis de atividade cerebral. Com isso, o aluno tem muito mais chances de fixar o conhecimento.

Não é a toa que nos lembramos de histórias contadas por nossos avós lá na nossa infância. Segundo a Teoria de Ensino de Bruner, o storytelling aumenta em 20 vezes a probabilidade de memorização.

Na prática

Do ponto de vista prático, essa metodologia aparece, inclusive, nas aulas expositivas tradicionais. Atualmente, o desenvolvimento de tecnologias audiovisuais e de técnicas para criar roteiros mais interessantes para os alunos faz com que o storytelling vá além. Assim, aumentando a dinâmica da contação de histórias.

Portanto, inserir o storytelling no contexto das metodologias ativas de aprendizagem exige dar ao aluno um papel dentro da história. O decorrer da narrativa irá se adequar às respostas aos desafios que aparecem no percurso. Isto gera engajamento e prende a atenção do estudante.

Por isso, ao usar o storytelling em sala de aula, o professor deve aproveitar a oportunidade para aproximar os conceitos estudados do contexto social da turma.

8. Estudos do meio

As viagens e visitas a locais fora do ambiente institucional são um recurso comum desde o ensino básico até o ensino superior. O que os estudos do meio propõem é a transformação das saídas de campo de um mero passeio em uma verdadeira imersão pedagógica.

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que a concretização dos estudos do meio como uma metodologia ativa exige planejamento. Afinal, um erro comum, nesse caso, é apenas reproduzir as aulas expositivas tradicionais em um local externo.

O envolvimento do coordenadores, professores e alunos inicia antes da saída de campo. A começar pela escolha do local a ser visitado, o que deve contar com a participação de todos os entes. Isso tudo levando-se em conta o contexto local e as necessidades pedagógicas em questão.

Os estudos do meio podem ser aplicados mesmo nas cercanias da instituição, como na própria rua, bairro ou em comunidades próximas.

Entre as vantagens dessa metodologia ativa estão:
  • Diálogo entre a teoria e a prática;
  • Caráter interdisciplinar das atividades;
  • Desenvolvimento de um olhar crítico e investigativo.

O mais importante é que o planejamento garanta a participação do aluno nas atividades fora da sala de aula. O desafio é ir além de apenas observar outra realidade ou paisagem, fazendo com que os estudantes dialoguem com o espaço visitados, suas paisagens e agentes.

Uma alternativa interessante é a adaptação dos estudos do meio ao ensino a distância. O desenvolvimento de tecnologias educacionais com o uso realidade virtual, por exemplo, permite levar uma turma inteira em uma viagem sem tirar o pé da sala de aula. Por fim, a depender do grau de imersividade, os alunos podem, inclusive, interagir com o ambiente.

Natália Collor
Natália é Jornalista e atua na Inteligência de Mercado do Grupo A

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    1 Comment

    1. […] que deve aparecer com força após 2020 é a da aprendizagem ativa. Vários são os estudos que mostram o quanto o modelo expositivo de ensino é insuficiente para garantir a aprendizagem do alunos de hoje. Com a educação digital, a necessidade do […]

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