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Inspiração do mês: sistema brasileiro de Escrita das Línguas de Sinais – ELiS

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Escrever em língua de sinais ainda é pouco conhecido na sociedade brasileira, até algum tempo atrás não existia a escrita das línguas de sinais. O que torna a vida da comunidade surda no Brasil ainda mais difícil. A linguagem escrita está associada ao direito de estabelecer uma comunicação entre as pessoas e a escrita de sinais pode dar ao surdo a autenticidade de se comunicar na sua língua materna – uma vez que segue as mesmas regras da língua de sinais. 

A pesquisadora Mariângela Estelita de Barros, cria a partir de sua pesquisa de doutorado e mestrado um novo sistema de escrita de sinais, o ELiS, um presente para os surdos brasileiros e professores. O sistema desenvolvido pela pesquisadora, em 1998, procurou uma forma de proporcionar ao surdo o acesso a uma comunicação escrita na sua própria língua. Ou seja, assim como nós somos falantes em português e escrevemos em português, o surdo que tem a libras como língua materna também pode escrever em libras. Reformulada em 2008, a escrita de sinais ELiS, conta com 95 caracteres capazes de representar os sinais de qualquer língua de sinais em qualquer parte do mundo. 

A história da ELiS pode ser dividida em três fases: a criação, concluída em 1998; a verificação teórica e prática da proposta, finalizada em 2008; e o uso e a implantação/divulgação, fase atual.

Escrita das Línguas de Sinais - ELiS

A ELiS é um sistema de escrita alfabético e linear, cujos caracteres, denominados visografemas, foram desenvolvidos especialmente para ela. Os visografemas  representam os elementos visuais que compõem as línguas de sinais:  as configurações de dedos, orientações da palma, pontos de articulação, movimentos e expressões não manuais. Esses elementos são organizados em uma estrutura própria, que segue a dinâmica natural de formação dos sinais, ou seja, sua natureza sequencial cumulativa, que resulta em simultaneidade.

Escreve-se da esquerda para direita e é alfabética porque cada letra representa um elemento de parâmetro. A libras é estabelecida por cinco elementos: configuração de mão (CM), orientação da palma (OP), ponto de articulação (PA), movimento (MO) e expressões não-manuais (ENM). Já na ELiS utiliza-se: configuração de dedos (CD), orientação da palma (OP), ponto de articulação (PA) e movimento (MO) e expressões não-manuais são consideradas como parte do parâmetro Movimento.

– No início, experimentei criar um símbolo para cada sinal da Libras, mas por volta de 280 símbolos/sinais, ao deparar-me com o esgotamento da minha criatividade, resolvi voltar-me para um sistema alfabético, que é mais econômico e correspondia à minha ideia inicial: identificar os elementos e atribuir-lhes símbolos. Fui, então, criando símbolos e, junto com eles, as regras que possibilitavam uni-los em uma estrutura que tivesse coerência interna e que fosse compatível com a Libras. 

A segunda fase da ELiS, de aperfeiçoamento, iniciou-se no doutorado, quando Mariângela definiu que iria desenvolver a ELiS como sistema de escrita eficiente e experimentá-la na prática. 

A pesquisadora lembra que foi durante uma pesquisa de campo do doutorado, em janeiro de 2007, com alunos surdos do curso de Letras – Libras da UFSC, que testou e realizou as maiores modificações estruturais do sistema. 

– Nessa fase, a ELiS passou a ser exclusivamente linear e várias regras grafotáticas, ou seja, de combinação dos elementos do sistema de escrita, foram criadas, como a estrutura para a representação de sinais realizados com mão de apoio. 

No mesmo mês, a ELiS foi ensinada a 33 alunos. Esses alunos, cientes de que estavam participando de uma pesquisa, ao mesmo tempo em que aprendiam o sistema, faziam várias sugestões quanto à estrutura. As reflexões linguísticas realizadas pela turma deram maior precisão ao sistema e seu aprendizado o legitimou entre a sociedade de surdos. 

– Assim, encontramos na terceira fase, que é a de sua autoafirmação na comunidade surda, ou seja, a fase de uso e divulgação/implantação da escrita nas diversas esferas sociais em que a Libras já se faz presente em sua modalidade sinalizada.

Trabalho inspirador e revolucionário no Brasil, o livro está dividido em duas grandes partes, uma teórica e uma prática, com o passo a passo para a alfabetização efetiva na escrita das línguas de sinais. Dispõe de exercícios para a prática, com propostas de atividades de escrita e leitura em Libras/ELiS, respostas dos exercícios e Caderno de caligrafia da ELiS.

 

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