Reflexões

Inspiração do mês: A hora e a vez das mulheres

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Todo o dia 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher. A data foi escolhida em memória das operárias de uma fábrica de tecidos norte-americana que, em 1857, ousaram exigir melhores condições de trabalho e acabaram sendo punidas com a morte. Unidas dentro da fábrica para pedir, entre outras coisas, a equiparação salarial com os homens, as operárias foram trancadas no estabelecimento ao qual foi ateado fogo. Cerca de 130 morreram carbonizadas. A data serve para lembrar, portanto, da luta e das conquistas dessas e de outras mulheres, que tanto fizeram por uma sociedade mais justa e igualitária para ambos os gêneros. O caminho para esse sonho, no entanto, é longo. E, embora hoje mulheres possam estudar, trabalhar e votar, ou seja, são cidadãs atuantes, a desigualdade ainda existe.


Sim, podem!
[FONTE: Biased BBC]

Somente a questão da equiparação salarial seria o suficiente para mostrar que a luta das mulheres continua. De acordo com relatório da ActionAid, a desigualdade de gênero custa cerca de 9 trilhões de dólares anualmente para as mulheres de países pobres. Ademais, no Brasil, em praticamente todas as ocupações as mulheres recebem menos do que homens em postos de trabalho iguais. E, embora o prejuízo maior fique por conta das mulheres residentes de países em desenvolvimento, nem Hollywood está livre da desigualdade de gêneros na folha de pagamento. Ao receber o Oscar de melhor atriz coadjuvante na última edição do prêmio pelo filme Boyhood, Patrícia Arquette discursou exigindo equiparação salarial entre homens e mulheres e foi aplaudida de pé. A fala se torna ainda mais impactante para o meio artístico após o vazamento de informação confidencial da Sony ter revelado um discurso misógino e salários menores para as atrizes em relação a atores. 

A segurança é outro tema complexo e que exige atenção. Muitas mulheres temem andar pelas ruas sozinhas, pois os perigos que correm vão desde o assédio desenfreado até a consumação do estupro. Em 2013, o número de estupros no Brasil superou o de homicídios dolosos. E, na última semana, o jornal britânico Daily Mail incluiu o Brasil na lista de países mais perigosos para a mulher viajar, justificando a escolha com a cultura machista, os riscos de estupro e a violência. Um estudo recente apontou que, no ano passado, houve um aumento de 40% nas denúncias de violência contra a mulher no país. 

Mulheres são assassinadas, muitas vezes, pelo simples fato de serem mulheres. A isso atribui-se o nome de feminicídio. No Brasil, a maioria dos assassinatos de mulheres é cometido por atuais parceiros ou ex-companheiros, estimulados por uma cultura machista que entende a mulher como uma propriedade do homem. São temas espinhosos e tristes, mas são importantes de serem lembrados em datas como essa, para que mais ações como a Lei Maria da Penha sejam efetuadas na esfera pública afim de proteger as mulheres.


Mulheres unidas na luta por direitos iguais: são todas super heroínas.
[FONTE: Her Campus]

A cultura machista, no entanto, está profundamente enraizada em todos nós, não apenas nos homens que a praticam. Todos, em algum momento e sem perceber, já fomos sexistas em nossos atos e colocações, por mais singelos que sejam. Criadas em uma sociedade essencialmente patriarcal, mulheres podem acabar reproduzindo esse tipo de comportamento sem se dar conta ou por acharem que esse é o correto. Sem a intenção, acabamos condicionando as crianças a seguirem vivendo de maneira pouco igualitária, ensinando meninos a serem machões e meninas a serem subservientes. Algumas atitudes podem ser tomadas nesse sentido, porém, para que as crianças cresçam de forma mais livre das amarras de gênero socialmente impostas, de forma que, no futuro, possamos ter uma sociedade mais justa.

A educação para a cidadania começa cedo e, para evitar que o sexismo floresça cedo, quem tem filhos ou convive com pimpolhos pode, com pequenos gestos, fazer grandes mudanças. Nunca separe brinquedos entre os “de menino” e os “de menina”. Primeiro, porque todas as crianças devem experimentar todas as brincadeiras. Segundo, porque isso reforça estereótipos de papel de gênero. Somente meninos poderão ser engenheiros e bons motoristas (blocos de montar e carrinhos) e somente mulheres cozinharão bem e cuidarão bem de seus filhos (bonecas, comidinha)? Claro que não! Da mesma forma, não incentive apenas as meninas a participarem das tarefas domésticas. Todos devem ajudar em casa e, assim, não se formam meninos que acreditam que as moças devem servi-los no lar. 


A igualdade entre os gêneros só será possível se todos nos unirmos. 
[FONTE: Capricho]

Outras atitudes importantes para quando as crianças entram na adolescência dizem respeito à questão da sexualidade. Incentivar os meninos a serem conquistadores e as meninas a se resguardarem reforça a terrível cultura de estupro da qual já falamos lá em cima, justificando as investidas masculinas e culpabilizando as vítimas. A educação sexual passa por ambos os gêneros e deve contemplar o respeito, a liberdade de escolha, o amor próprio e, principalmente, a segurança. Meninas bem orientadas protegem-se mais e correm menos riscos no que diz respeito à transmissão de doenças e, principalmente, por saber que têm o direito de dizer não e que isso deve ser respeitado. Além disso, é claro, desenvolvem uma sexualidade mais saudável e uma maior autonomia sobre seu corpo, para dizer sim sempre que quiserem. 

Mudar é muito difícil e, sendo esse o mundo que conhecemos, se livrar de padrões de pensamento é tarefa hercúlea. Lembrem-se, porém, que, há algum tempo, mulheres sequer eram alfabetizadas no Brasil (e isso ainda ocorre em muitos países). O feminismo e a luta por direitos das mulheres não buscam esmagar os homens. Pelo contrário, o pensamento machista também é prejudicial para eles (embora bem menos letal). Portanto, essa é a hora de todos nos unirmos e lutarmos para que as mulheres obtenham seu lugar ao sol, segurança, saúde e condições iguais para competir no mercado de trabalho. Essa, com certeza, é uma luta da qual todos sairão vencedores. Girl power!

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