Sobre livros

Filósofos proibidos

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Há meio século, o acesso à informação não era assim tão fácil. A Web, é claro, não existia (e muito menos o Google!) Para ler os conteúdos de seu interesse, só pegando emprestado de alguém ou visitando a Biblioteca – e enfrentando um amontoado de livros empoeirados e desorganizados, já que a consulta era inteiramente manual (nada de procurar primeiro no computador a localização da obra). Para completar, alguns textos talvez nem estivessem nas estantes; até 1966, a Igreja Católica proibia a disseminação de determinados documentos ou até mesmo a obra completa de autores hoje consagrados.

Foi no dia 14 de junho, há exatos 45 anos, que o Papa Paulo VI anunciou o fim do Index Librorum Prohibitorum, a polêmica Lista de Livros Proibidos. Nela figurava qualquer documento que se opusesse à filosofia católica e levasse – na visão dos inquisidores – os fiéis ao mau caminho. O rol de obras banidas chegou à surpreendente quantidade quatro mil títulos. Heresia, deficiência moral, sexualidade explícita e incorreção política eram os temas mais comuns dos escritos ditos “hereges”, e os filósofos, pela natureza questionadora do seu ofício, eram os alvos preferidos. Confira abaixo cinco filósofos que em algum momento foram considerados “pecadores”:

René Descartes, considerado o pai da matemática e da filosofia moderna, teve a sua obra Meditações Sobre a Filosofia Primeira coibida pela Igreja Católica.

O clássico de Immanuel Kant, A Crítica da Razão Pura, publicado pela primeira vez em 1791, também fez parte da famigerada Lista.

O existencialista Jean-Paul Sartre entrou para o Index em 1959: sua obra inteira foi considerada herege.

Igualmente, o trabalho completo do filósofo e teólogo Baruch von Espinosa não foi poupado.

O pioneiro do método científico, Francis Bacon, foi mais um nome na longa lista.

E você, já leu algum filósofo proibido?

Conheça o pensamento dos uma vez banidos Descartes, Kant, Sartre e Espinosa em: Descartes, de André Gombay, Kant, de Allen W. Wood, Sartre, de Katherine J. Morris, e Espinosa, de Wolfgang Bartuschat.

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