EdTech

Ensino híbrido: o que é, como fazer, tendências | Guia definitivo

0
ensino-hibrido
Foto: Pexels

Parte presencial, parte a distância: eis a premissa do ensino híbrido. O modelo proporciona a professores e alunos uma nova dinâmica para o processo de ensino e aprendizagem.

Além de explicarmos as diferenças entre as duas categorias de ensino híbrido, veja um passo a passo para implementá-lo em sua instituição, cases de sucesso e ferramentas que serão tendência em 2020.

O que é o ensino híbrido na prática?

É muito comum estudantes terem a seguinte dúvida: escolher a Educação a Distância (EAD) ou o modelo presencial? Cada um tem suas vantagens, claro. Mas e se for possível juntar o que eles oferecem de melhor em termos de ensino e aprendizagem? É o que propõe o ensino híbrido.

A metodologia é uma tendência nas Instituições de Ensino Superior (IES) por combinar aulas presenciais e a utilização de ferramentas online. Em resumo, ela é dividida em duas categorias (sustentado e disruptivo). Isso se dá conforme a quantidade de atividades online e offline presentes em seus planos pedagógicos.

Ainda que não existam normativas específicas para regulamentá-lo (como acontece com o presencial e a EAD), o ensino híbrido tem conquistado cada vez mais espaço nas instituições de ensino superior (IES). E há bons motivos para isso. No fim de 2018, uma portaria do governo federal ampliou de 20% para 40% a carga horária máxima a distância para cursos presenciais.

Muitas discussões sobre métodos de ensino colocam em frentes opostas o online e o presencial. O avanço do primeiro é encarado quase sempre como uma ameaça à existência do segundo. O ensino híbrido (do inglês, blended learning) tornou-se uma exceção nesse cenário ao propor a integração dos dois modelos em favor de uma educação mais eficiente e personalizada.

Independentemente das abordagens sustentadas e disruptivas, a força do ensino híbrido está justamente na possibilidade de mesclar o que há de melhor no presencial e no online. Outra vantagem é econômica. Afinal, ele tende a reduzir os custos em cerca de 60% para as instituições de ensino superior (IES) e 30% para os alunos.

Categorias de ensino híbrido

  • Sustentado: é mais próximo ao modelo tradicional. Ele preserva encontros frequentes em sala de aula, agregando momentos de uso de tecnologias digitais e tarefas online.
  • Disruptivo: propõe um rompimento maior em relação ao modelo de ensino tradicional. Nesse caso, o aluno pode frequentar a sala de aula apenas a cada 15 dias. Se torna fundamental a adoção de um ambiente virtual de aprendizagem.

beneficios-ensino-hibrido

Como implementar o ensino híbrido?

A implementação do ensino híbrido depende de contextos locais. Como, por exemplo, a adaptação cultural de alunos e professores ao uso da tecnologia. Além disso, passa pelo nível de maturidade da organização e da infraestrutura disponível. Não existe, portanto, uma regra a seguir, tampouco um modelo único a adotar.

Uma das primeiras questões que surge entre gestores educacionais é como se dará a divisão da carga horária. Do ponto de vista legal, uma portaria de 2018 do Ministério da Educação (MEC) ampliou o fôlego do online. Desde então, cursos presenciais (em condições específicas) podem ter até 40% da carga horária completada a distância. A medida não vale para os cursos das áreas de saúde e engenharia.

O ponto de partida, no entanto, deve ser planejar o ensino híbrido conforme o curso. “É fundamental pensar primeiro no objetivo do curso como um todo, para quem ele será oferecido, qual será a formação que se pretende dar ao cursista, o que é esperado desenvolver em quem cursá-lo”, explica Fernando de Mello Trevisan, coordenador Experimentações em Ensino Híbrido do Instituto Península e da Fundação Lemann, em entrevista ao Desafios da Educação.

Se depois da análise ainda existirem dúvidas, uma saída pode ser começar pelos métodos sustentados. A implementação gradual do ensino híbrido cria um período de transição importante para explicar as mudanças para professores e alunos e para investir na infraestrutura necessária. Instituições mais maduras, com condições tecnológicas estabelecidas, podem dar um passo a mais, indo direito para os modelos disruptivos.

Veja como implementar o ensino híbrido:

Passo 1

Pensar nas especificidades curso: para decidir a melhor maneira de colocar ensino híbrido em prática, é necessário pensar primeiramente nos objetivos do curso. Além do perfil do público-alvo, na formação pretendida e nas capacidades que se pretende desenvolver nos participantes.

Sustentando ou disruptivo? Se houver incertezas sobre o modelo a ser escolhido, a dica é começar pelo sustentando. Assim, a IES ganha um tempo de transição para aplicar metodologias disruptivas. O que permite engajar a comunidade acadêmica (alunos, professores e gestores) e preparar a tecnologia necessária.

Passo 2

Definir o percentual de online x offline: a quantidade de horas/aula realizadas online e offline varia conforme as necessidades do curso. E também as tecnologias disponíveis na IES.

O que diz a lei? Do ponto de vista legal, uma portaria de 2018 do Ministério da Educação (MEC), elevou para 40% o total de carga horária online permitida em cursos presenciais em condições específicas. Antes, o máximo era 20%. A medida não vale para cursos das áreas de saúde e engenharia.

Você já sabe o que fazer para adaptar seus cursos e chegar aos 40% a distância? Confira um checklist das etapas para atingir esse objetivo.

Passo 3

Encontrar a tecnologia certa: o sucesso do ensino híbrido depende do apoio de ferramentas adequadas. Para facilitar essa escolha, as Edtechs – como são conhecidas empresas de tecnologia educacional – fornecem uma série de soluções adaptáveis para cada contexto.

O que é o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)? Entre as tecnologias disponíveis está o AVA. Trata-se de uma plataforma capaz de auxiliar na montagem do curso, na criação e administração do conteúdo, além de fornecer dados para acompanhamento do desempenho de alunos e professores.

Confira algumas dicas para escolher um bom AVA.

ensino-hibrido-ead

Foto: Pexels

Passo 4

Capacitar professores: de nada adianta ter a tecnologia em mãos se os professores não souberem utilizá-la. Por isso, é fundamental capacitar os docentes para o uso das ferramentas.

O que muda, na prática, para o professor? O docente precisará aprender a acompanhar, interagir e se beneficiar dos dados fornecidos pelos softwares de educação para melhorar a aprendizagem dos alunos. A produção de conteúdo online toma espaço do tempo em sala de aula.

Veja como engajar professores e diminuir a resistência.

Passo 5

Engajar os alunos: assim como os professores, os alunos assumem um novo papel em relação ao ensino tradicional. Assim, precisarão estar engajados num projeto pedagógico que irá conferir a eles mesmos maior autonomia.

O que muda, na prática, para o aluno? Com menos aulas presenciais, eles podem personalizar a construção do próprio conhecimento, decidindo o tempo, local e o ritmo dos estudos. A busca por materiais complementares exige proatividade.

ensino-hibrido-aprendizagem

Foto: Pexels

Quer se aprofundar ainda mais nesse passo a passo? Convidamos o especialista Fernando de Mello Trevisanim pesquisador, professor de Matemática no Colégio Sidarta, consultor educacional e formador de professores em Metodologias Ativas, para dar um panorama prático. E você pode receber este Webinar aqui:


Gerenciando o próprio estudo

A autonomia proporcionada pelo ensino híbrido permite ao aluno a melhor percepção quanto à sua evolução, bem como dos pontos que exigirão reforço nos estudos. Como a modalidade impacta tanto a rotina do aluno (ao aprender) quanto do professor (ao ensinar), é essencial que as IES invistam em espaços de aprendizagem presenciais e virtuais.

Soma-se a isso a preocupação com a produção e a transmissão dos conhecimentos curriculares, o que dependerá diretamente do corpo acadêmico. Outro aspecto elementar para o sucesso do ensino híbrido é a escolha das atividades que farão a integração entre o virtual e o presencial. Afinal, um é complementar ao outro.

ensino-hibrido-estudo

Foto: Pexels

Para aumentar o engajamento no modelo híbrido, é imprescindível a aplicação de tecnologias que dialoguem com a realidade dos alunos. Ainda que muitas IES utilizem soluções importadas, é possível encontrar no Brasil plataformas em português. E com criação de conteúdo 100% local.

Todos esses fatores exigem atenção máxima dos gestores das IES. Com a ascensão do ensino híbrido, não apenas a sala de aula se transforma como altera-se também a dinâmica do plano pedagógico e a gestão do tempo no ambiente acadêmico.

Quando essas diretrizes não são absorvidas plenamente, surge um equívoco comumente atrelados ao ensino híbrido. A IES trata a modalidade como uma simples ferramenta tecnológica. E não como algo ligado ao comportamento de professores e alunos, à dinâmica das aulas e à grade curricular.

Vamos implementar o Ensino Híbrido na sua IES? Clique aqui!

Onde a metodologia já faz a diferença

Uma maneira de não errar na implementação de qualquer novidade na área da educação é aprender com quem já fez e acertou. Conheça, em seguida, alguns cases de sucesso do ensino híbrido em IES brasileiras.

>> Uniamérica: a universidade, de Foz do Iguaçu (PR) passou a oferecer o ensino híbrido em todos os seus cursos. A experiência é considerada por especialistas como uma das mais bem-sucedidas do Brasil. A aplicação dos conteúdos acontece em quatro etapas:

  1. aquisição individual da informação no ambiente online;
  2. ampliação da compreensão por meio de exemplos práticos;
  3. elaboração do que o aluno aprendeu por meio de relatórios e discussões em sala;
  4. e aplicação em projetos práticos com orientação do professor.

“Daqui a alguns anos, não fará mais sentido falar em curso presencial ou a distância. Cada vez mais os dois ambientes estão se misturando”, diz Ryon Braga, diretor-presidente da Uniamérica, ao portal Desafios da Educação.

Universidade Positivo

A Universidade Positivo, de Curitiba (PR), lançou seus três primeiros cursos com formato de ensino híbrido em 2016, mas aplica a metodologia desde 2013 em cursos EAD. Os encontros presenciais acontecem a cada 15 dias.

A IES utiliza um AVA dinâmico da Blackboard, com e-book, games e vídeo aulas. Mas sempre com suporte de professores tutores. Os momentos em sala de aula se valem de metodologias ativas de educação para alinhar teoria e prática.

“Investimos para que cada elemento do curso tenha a conexão entre teoria e prática – seja nos textos, nas video aulas ou nos games, que reforçam o entendimento de forma lúdica”, afirma Carlos Longo, reitor acadêmico da Universidade Positivo, à revista Exame.

Unicesumar

Com sede em Maringá (PR), a Unicesumar apostou em pesquisas pedagógicas e construção de laboratórios para dar conta do ensino híbrido. São dois encontros presenciais e um online por semana. O resto da carga horária é reservada para estudos em casa. Como utiliza material didático próprio, a Unicesumar também investiu em dez estúdios para os professores gravarem as aulas.

“É o melhor dos dois mundos (tecnologia EAD e formação presencial)”, explica Wilson Matos da Silva, reitor da Unicesumar, ao jornal Notícias do Dia.

Leia também:
:: Descubra agora os cinco principais motivos que fazem as IES perderem alunos (e como fugir deles)

Tendências para 2020

O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) é uma necessidade básica em funcionamento em diversas instituições. Mas a adoção do ensino híbrido pode se tornar mais assertiva com a adoção de outras tecnologias facilitadoras.

Listamos abaixo algumas das principais tendências do setor para 2020:

  • Machine learning: em primeiro lugar, a inteligência de dados vai ser cada vez mais utilizada para gerar relatórios ao instrutor e à instituição. Isso se dá com feedback sobre acessibilidade aos conteúdos e desempenho dos alunos.
  • Ferramentas de colaboração e webconferência: o ensino híbrido não significa o fim da interação entre os alunos e professores. Com o aumento das atividades online, isso deve acontecer por plataformas de videoconferência que permitem troca de ideias e compartilhamento de conteúdo.
  • Integração entre os sistemas: por fim, para facilitar o trabalho dos gestores, a tendência é que todas essas novidades sejam completamente integradas ao ambiente virtual de aprendizagem. Isso deve facilitar a análise de dados e a correção de rumos quando for necessário.

Nós te ajudamos a implementar o Ensino Híbrido na sua IES. Clique aqui!

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.