Sobre livros

É uma biblioteca? É um parque? É a superbiblioteca!

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Transporte público, menos Copa e mais saúde, abaixo a cura gay, adeus à PEC 37, melhores escolas… como mostrou nosso apanhado de cartazes na segunda-feira passada, as causas que ocupam as ruas são muitas. Se pudéssemos acrescentar uma à lista de prioridades do governo, uminha só, seria a proliferação das bibliotecas-parque. O Rio de Janeiro já tem algumas e o resultado tem sido positivo. Veja abaixo. 🙂


Livros voadores levam a imaginação para passear na favela de Manguinhos
Fonte: Divulgação

O conceito de biblioteca-parque surgiu em Medellín, aquela cidade colombiana mais famosa pelo übertraficante de drogas Pablo Escobar do que por seus livros. Considerada, até meados dos anos 1990, uma das cidades mais perigosas do mundo, Medellín colocou em prática uma série de medidas para promover o bem estar social e a segurança pública. Entre campanha de desarmamento, formação de mediadores de conflitos de bairro e melhor transporte público (incluído aí o famoso teleférico que sobe a “favela” da cidade), estava a ideia de levar os livros para perto das chamadas zonas de risco, a periferia pobre e marginalizada.


A arquitetura inovadora é marca das bibliotecas em Medellin, como na León de Greiff
Fonte: Wikimedia

A cidade investiu 40% do orçamento municipal em educação e 5% em cultura. Parte dessa verba serviu para construir cinco belos centros culturais. A grande jogada da biblioteca-parque é que ela não é apenas um depósito de livros, é também um espaço para cursos, exposições, acesso à internet, sala de vídeos e pesquisa. No caso particular da bilioteca-parque España, no topo de um morro de Medellín, também é obra arquitetônica com status de arte, erguida em três imensos blocos de pedra.


O imponente prédio pode ser visto desde a base do morro
Fonte: Wikimedia

No Rio de Janeiro, a experiência também ganha a aprovação da população. A Superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Cultura do RJ Vera Saboya já disse em entrevista que o objetivo é transformar as bibliotecas em espaços produtores de cultura. Então, esqueça as estante empoeiradas, o cheiro de mofo, as traças e as teias de aranha: na Rocinha, a biblioteca tem até cozinha-escola por sugestão da população local, e, em Manguinhos, uma sala de cinema, já que na região não há cinema nem teatro. Seguindo a linha de interesses dos moradores, o acervo de livros das bibliotecas também é incrementado com títulos relacionados às suas demandas.


Não basta ter livros, tem que dar vontade de morar lá dentro, como nessa da Rocinha
Fonte: CBN

A gente acredita na ideia de que um ambiente cheio de estímulos artísticos, com espaço para convivência e troca de ideias, que não apenas apresenta cultura, mas também a produz, é um grande incentivo à formação de leitores. Você concorda que o ambiente faz diferença na leitura? Onde você leu seus primeiros livros? O que ajuda e o que atrapalha na hora de se concentrar no texto? Compartilhe com a gente! ;-]


Espaços amplos são importantes para a convivência, como na biblioteca Belén de Medellín
Fonte: Wikimedia

O assunto é fértil. O livro Biblioteca Escolar Hoje aborda os desafios atuais das bibliotecas apresentando-as como um recurso educativo essencial para a promoção da cultura escrita. A obra traz, ainda, um modelo prático e realista para implantar bibliotecas no sistema educacional. Se você se interessa pelo tema, vale a pena conferir! 

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