Papo de editor

Correndo para viver bem

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Por Arysinha Affonso*

Tem gente que resolve a vida enquanto corre; eu não penso em nada, só no pace em que preciso fechar o próximo quilômetro.

Essa era a conversa do colega que encontrei por acaso na pista em que costumo treinar semanalmente. Ele é (ou era, faz tempo que não falamos) um daqueles malucos capazes de fazer em dupla a Volta à Ilha. Para quem não sabe, essa é uma prova de revezamento bastante popular cujo trajeto é uma volta completa na ilha de Santa Catarina (capital Florianópolis). Maluco aqui é um adjetivo que carrega uma pontinha, bem pequenininha mesmo, de inveja (do tipo, como é que esse cara consegue?). Enfim…

Eu me classifico como uma corredora em fase ascendente. Comecei há três anos e corri três meias-maratonas, melhorando significativamente o meu tempo. No grupo do qual faço parte, tenho alguns modelos de inspiração. Mulheres da minha faixa etária capazes de treinar por muitos quilômetros no maior papo, o tempo todo, aparentemente sem qualquer esforço. Já eu não sou de falar muito; menos ainda nessas horas. Não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo: correr e falar. Em lugar disso, eu gosto mesmo é de pensar.

Arysinha Affonso no Mountain Do
Suando a camisa – e pensando na vida – na corrida Mountain Do, em Canela, Rio Grande do Sul.

Ouvi recentemente de uma colega de corrida, uma brasileira que vive na Alemanha há sete anos, sobre as dificuldades de adaptação a um país estrangeiro, longe da família e tudo aquilo que a gente sabe: A corrida salvou a minha vida.

Arysinha Affonso em um evento
Arysinha aproveitou a ida à Feira de Frankfurt, maior evento livreiro do mundo, para participar de uma corrida em Colônia, na Alemanha.

Pois eu também me sinto assim. Não vivo em um país estrangeiro, mas a corrida me salva semanalmente das dificuldades do dia a dia. Quando estou me enrolando para decidir algo, saio para correr. O que resolver aquela tradução que não está boa? Vou dar uma corridinha. Como conseguir que aquele fornecedor cumpra o prazo? Vou pensar até a (avenida) Beira-Rio. Bah, e aquele livrão que precisa ser feito em seis meses? O longão de domingo vai clarear minhas ideias. Vou conversar sobre um possível aumento de salário… Bom, antes de encarar esse assunto vou correr uma maratona inteira!

*Arysinha Affonso é gerente editorial da área de Ciências Exatas, Sociais e Aplicadas do Grupo A.

Se você, como a Arysinha, curte correr para desopilar, o livro Fórmula de Corrida de Daniels, de Jack Daniels, traz um treinamento que pode ser customizado para o seu nível de aptidão física. Fica a dica de leitura! ;-]

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4 Comments

  1. Essa mulher é um exemplo!!! Quanta disciplina, não é dona Arysinha?? Talvez um dia eu consiga te imitar um pouquinho… vou tentar, vou tentar…

  2. I told you: you're my hero!!!

  3. Muito legal, Arysinha. Eu comecei há um ano e já não consigo viver sem ela.
    Todos os dias bato ponto no calçadão da Av. Atlântica e corro do Leme até o Posto 6.
    Um dia ainda corro uma maratona.

  4. Parabéns Arysinha! Te admiro cada vez mais! Um dia chego lá…

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