Tecnologia Educacional

Como fazer aulas imersivas para alunos EAD

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aulas imersivas para alunos ead
Foto: Shutterstock

Você sabe o que aulas imersivas são capazes de fazer? Se um professor de Engenharia quer instruir os alunos sobre a complexidade de construir uma hidroelétrica, nada melhor do que uma excursão até a fronteira do Brasil com o Paraguai para conhecer a magnitude da Usina de Itaipu.

Agora, imagine fazer uma viagem até a segunda maior barragem hidrelétrica do mundo sem nem sequer sair de casa. É isto que uma aula imersiva é capaz de fazer por alunos no ensino a distância.

Vídeos 360° criados a partir da tecnologia de realidade virtual (RV) conseguem recriar pelo computador a sensação de realidade. São estimuladas ainda pela visão e pela audição.

Assim, os alunos “visitam” Itaipu mesmo que estejam fisicamente no laboratório da faculdade. Pode ser também conectados ao próprio smartphone em casa.

Com RV, não há entraves e custos de logística. Alunos de cursos presenciais e de EAD podem participar da “viagem a Itaipu”.

Os benefícios da RV em termos de aprendizagem também se destacam. “O conteúdo é absorvido de maneira mais eficaz, atrativa e engajadora.

Ou seja, uma série de vantagens pedagógicas que tornam as tecnologias imersivas essenciais para um bom curso EAD daqui para frente”, explica Igor Sales, diretor da Imersys, empresa especializada no desenvolvimento de conteúdo de realidade virtual.

Tecnologias imersivas disponíveis no EAD

O vídeo 360° de Itaipu é apenas um dos conteúdos desenvolvido pela Imersys. Eles também realizam filmagens em centros cirúrgicos destinadas a cursos da área da saúde, por exemplo.

De acordo com Sales, a tecnologia é uma das ferramentas que melhor se adapta à construção de aulas imersivas na EAD.

ALGETEC libera acesso a laboratórios virtuais durante pandemia

“São duas ferramentas (a RV e os vídeos 360°) que podem mudar a forma de ensinar a distância, principalmente quando começamos a falar de cursos híbridos”, afirma. Ele explica o porquê: “São tecnologias acessíveis, que elevam o nível de transferência de informações e se aproximam muito das metodologias ativas”.

aulas imersivas de medicina

Foto: Imersys

Primeiramente, a acessibilidade advém da fricção zero. A fricção denota a quantidade de aparatos necessários para utilizar uma tecnologia.

Ou seja, qualquer aluno EAD nesse caso pode ver um vídeo 360° sem precisar adquirir equipamentos novos. Basta um celular, computador ou tablet.

Se desejar incrementar a experiência, agregando elementos de interatividade, a IES pode investir em óculos de realidade virtual e distribuí-los aos alunos. O que, segundo Sales, possui um custo baixo se for feito em escala.

Realidade virtual e vídeos 360°

A RV e os vídeos 360° não são as únicas formas de proporcionar aulas imersivas ao conteúdo EAD. Outra opção é a realidade aumentada. Especialmente às áreas de engenharia e saúde.

corpo humano em imersão em aula de medicina

Foto: Imersys

A realidade aumentada combina os elementos virtuais e reais. Ela permite criar em três dimensões simulações das peças de um motor ou órgãos do corpo humano. Como? Basta um celular para projetá-las onde o aluno quiser, tornando-a uma ferramenta muito atraente no EAD.

Já os laboratórios virtuais podem ser acessados via internet em um computador ou smartphone. Eles funcionam para complementar as aulas tradicionais, conforme Vinícius Dias, diretor da Algetec, empresa especializada nesses equipamentos.

“Estudantes que acessam previamente os laboratórios virtuais têm maior engajamento nas práticas em ambientes reais. E as IES utilizam essas ferramentas para ter ganho de eficiência no agendamento de aulas práticas. Inclusive, podem substituir os laboratórios reais quando o estudo é meramente conceitual”, explica.

Como desenvolver aulas imersivas no EAD

Produzir conteúdo EAD imersivo, internamente na IES, é tarefa complexa. A parceria com um fornecedor de tecnologia e outro conteudista, portanto, torna-se vantajosa. Nesse sentido, é possível explorar de forma livre o universo imersivo ou seguir trilhas de aprendizado pré-definidas.

No caso dos vídeos: um aluno de pedagogia pode visitar dezenas de escolas através de realidade virtual, conhecendo diferentes estruturas e metodologias de ensino. É que a ferramenta possibilita, entre outras coisas, uma aula guiada pré-produzida que narra conteúdos específicos dentro da realidade da profissão.

Mas os professores têm liberdade para promover tours virtuais adequados à disciplina. Na aula de segurança do trabalho, o docente pode indicar ao aluno uma visita a três situações diferentes: um porto, uma indústria e um edifício. E, depois, debater o tema como desejar.

aula imersiva de engenharia

Foto: Imersys

“A experiência não precisa terminar dentro da imersão. É preciso criar um questionamento em torno do conteúdo e, inclusive, permitir ao aluno voltar ao tour quantas vezes quiser. Acho que produzir esse debate é fundamental para enriquecer o aprendizado dentro dessas tecnologias”, pondera Sales, da Imersys. 

Acesse a Central Coronavírus para IES do Grupo A:

Por que apostar nas aulas imersivas

Já falamos sobre as vantagens pedagógicas das aulas imersivas no EAD. Em resumo, o aprendizado fica mais interativo, profundo, divertido. É possível visitar qualquer canto do mundo ou conhecer a realidade de uma profissão sem sair do lugar, sem riscos e sem custos de logística.

Por fim, ao promover uma nova forma de ensinar, as aulas imersivas se tornam indispensáveis em diversos cursos. Ela traz outros benefícios, contudo, especialmente para as IES que apostam no EAD. Em primeiro lugar, as tecnologias atraem novos estudantes, influenciando na captação.

Já o engajamento que essas ferramentas promovem são fundamentais na retenção de alunos. “Disponibilizar algo que desperte a curiosidade e atraia o aluno para consumir o conteúdo EAD é um grande passo para diminuir os índices de evasão”, afirma Igor Sales, da Imersys.

Leia também:
:: Laboratórios virtuais na educação: o que são, quais os benefícios e como utilizá-los
:: Tecnologias imersivas: novas possibilidades para ensinar e aprender

Natália Collor
Natália é Jornalista e atua na Inteligência de Mercado do Grupo A

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    1 Comment

    1. Excelente artigo!
      O distanciamento social provocado por essa pandemia, apenas acelerou o processo que estamos vivendo agora, de uma forma quase que experimental, muitos tateando para não errar.
      As salas de aulas virtuais, síncronas ou assíncronas já são uma realidade, portanto, a referência ao uso das RVs (realidade virtual)é muito oportuno. Como foi exposto no artigo, esse recurso aproxima, incentiva e fideliza os alunos de qualquer etapa de ensino, principalmente os “nativos digitais” , alunos das graduações que estão ingressando cada vez mais cedo na universidade.
      Os alunos de pós-grado, também sentem-se atraídos por estratégias de ensino que envolvam aulas interativas, pautadas nas metodologias ativas , como aulas com o uso da RV.
      Gisele de Morais Fernandes, pedagoga

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