Reflexões

Andando por aí

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Steve McCurry nasceu nos Estados Unidos em 1950 e você provavelmente o conhece pelo retrato da garota afegâ de incríveis olhos verdes que se tornou capa da revista National Geographic, com a qual ele colabora. Mas, como era de se esperar, a longa carreira do fotojornalista não se resume à sua mais célebre imagem. Steve continua fotografando regularmente e é famoso por cobrir jornalisticamente conflitos armados. Hoje, vamos mostrar um pouco da série chamada Step by Step, na qual ele retrata pessoas caminhando ao redor do mundo. Além de fazer uma viagem por diferentes paisagens ao redor do globo, a série de andarilhos nos mostra um pouco da cultura de cada país. Todas as imagens foram retiradas de seu blog pessoal.


Um pouquinho mais distância e não saberíamos mais o que é homem e o que é montanha no Afeganistão.


Cada país tem seus caminhantes em particular. Pode ter sido um momento raro, mas agora lembraremos carinhosamente de Bangladesh como o país em que se caminha como um grupo de frevo. <3


E essa linha de bonde encurtando as distâncias entre Brasil e Bangladesh? É quase como se essa imagem desse continuidade à paisagem retratada na foto anterior. 


A paisagem do Camboja, para quem não está habituado ao local, é quase de sonho. E aqui não temos uma linha mestra para os caminhantes, não é?


O anúncio está prestes a esmagar a caminhante dos Estados Unidos. Que bela metáfora da vida real, hein?

Quando jovem, Steve sonhava com estudar cinema, mas, pelos caminhos tortuosos da vida, acabou se formando em dramaturgia. Por vias ainda mais inesperadas, foi parar na fotografia, quando ganhou um emprego no jornal The Daily Collegian. Quase por acaso, ele descobria sua verdadeira vocação, e o mundo ganhava um dos maiores fotógrafos contemporâneos. Uma das características mais marcantes de seu trabalho, é a sua visão única. Afinal, para compor uma grande foto, é preciso não apenas saber o que é relevante para o fato histórico divulgado, mas também o que é particular de cada cultura, de cada povo. É isso que torna suas imagens singulares.


No Nepal, o jovem se protege da chuva com uma grande folha e nos lembra os fantásticos insetos da série do jardim. É uma relação muito íntima com a natureza, que a cidade perdeu um pouco. 


No Paquistão, devido ao traje típico, por um momento, não conseguimos distinguir que é uma mulher carregando uma máquina de costura. 


Essa paisagem surrealista fica mais perto do que podemos imaginar: no Paraguai. 


Para se achar nessas ruas sem identificação, apenas passando sete anos no Tibete. ;). 


No Vietnã, o casal segue rumo ao horizonte, uma perspectiva bem rara para quem vive na cidade. 

“Walking… is how the body measures itself against the earth” (algo como: é caminhando que o corpo se mensura com relação a terra, em tradução livre) é a frase que define a série de Steve, de acordo com o próprio fotógrafo. Retirada do livro Wanderlust: A History of Walking, de Rebecca Solnit, ela nos faz pensar em como o andar define o ser humano, desde que éramos nômades ou mal nos colocávamos em pé. É caminhando que podemos sentir toda a nossa essência e explorar  o ambiente exatamente como fizeram nossos ancestrais quando sentiram os dois pés no chão e saíram por aí. E você? Qual a última vez que caminhou e prestou atenção na paisagem que te acompanhava?

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