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Uma breve história da Tipografia

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Hoje, compartilhar conhecimento é fácil. E nós não estamos falando apenas da internet, das redes móveis, de computadores e dos gadgets nossos de cada dia. É claro que tudo isso é importante para que a sabedoria se espalhe aos quatro ventos e ganhe o mundo. Mas muito antes da tecnologia como a conhecemo, existiu uma invenção tão revolucionária quanto. Sem ela, você não poderia estar lendo esse texto. Sim, estamos falando dos tipos, ou, como nos acostumamos a chamar, das fontes.

Pare e pense. O que seria das nossas vidas se ainda estivéssemos presos ao tempo em que o conhecimento era passado de geração para geração oralmente? Impossível, certo? Pois bem, como a grande maioria das pessoas, talvez você agradeça a Johannes Gutemberg pela imprensa, mas a verdade é que o nascimento da tipografia é muito anterior a isso. Afinal, antes mesmo de termos livros e jornais para ler, já éramos capazes de nos comunicar utilizando símbolos abstrados que juntos ganham forma e significado.


Quem disse que sua letra manuscrita não pode virar uma fonte?
FONTE: IWS

A tipografia enquanto estudo das letras impressas mostra que o começo desse vasto campo remonta séculos antes de Cristo, uma vez que até as letras manuscritas são consideradas tipos. Ou seja, muito antes da imprensa, já existiam exemplos de fontes espalhados pelo mundo. O alfabeto hieróglifo do Egito, por exemplo, é datado de 3.000 a.C, enquanto o alfabeto fenício é de 1.000 a.C e o Grego de 600 a.C. O alfabeto romano, que deu origem ao nosso atual, é de 100 d.C, muito antes dos tipos móveis de 1440 de Gutemberg.

A grande invenção de Gutemberg que, sim, é muito importante para a tipografia, foi tornar os tipos não só móveis como resistentes. As primeiras fontes móveis da história da humanidade na verdade apareceram na China, por volta de 1040, pelas mãos de Shen Kuo. Só que enquanto o professor chinês usava tipos móveis de madeira, que por sua característica orgânica, eram mais perecíveis, o alemão forjou símbolos de ferro, que, por serem resistentes, tornaram a impressão algo passível de ser feito em larga escala


A tipografia é anterior à imprensa de Gutemberg
FONTE: Flickr

Com a facilidade de imprimir não é de se espantar que logo em seguida surgissem variações tipográficas. Afinal, quem não gostaria de ter um livro totalmente impresso com uma fonte única? Foi assim que surgiram a Bookhand e a Human, duas fontes que são apontadas como as bases de várias outras que encontramos hoje em nossos computadores. Mesmo a Garamond remonta a esse período: foi inventada por Claude Garamond em 1541. Já em 1600 nascia o itálico pelas mãos de Aldus Manutius. Por sua vez, a famosa Times Roman surgiu em 1932 como uma crítica de Victor Lardent, que trabalhava no The Times, às fontes arcaicas utilizadas pelo periódico.

Não precisa nem dizer que a tipografia virou não apenas uma área de estudo como também uma peça importante do design gráfico, como mostra Ellen Lupton, um dos grandes nomes da área, no seu livro Design/Escrita/Pesquisa. É só olhar para a quantidade de opções de fontes que temos em simples programas de edição de texto para ver a importância dos tipos. Não é só uma questão de estética: alguns tipos são mais efetivos para cada leitura, plataforma, mas esse é assunto para um próximo texto. Por enquanto, fiquem com esse divertido vídeo (em inglês) sobre a tipografia.

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