Sobre livros

Terapia cognitiva focada em esquemas

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O psicólogo Ricardo Wainer apresenta o livro Terapia cognitiva focada em esquemas, resultado da experiência de profissionais brasileiros especialistas em terapia cognitiva focada em esquemas – um modelo de tratamento baseado em evidências. Segundo o especialista na área, a terapia focada em esquemas se baseia em estruturas que armazenam crenças, verdades absolutas sobre si mesmo, o mundo, os outros, o futuro, regras de relacionamento com o ambiente e estratégias. O método é indicado para dificuldades de relacionamento no trabalho, entre amigos, na família ou conjugais.

A obra é dividida em três seções – fundamentos básicos da terapia do esquema, inovações técnicas e focos de intervenção –, e se aprofunda na teoria e na aplicação da abordagem da terapia. Segundo Wainer, o livro é um guia minucioso para a conceitualização e o manejo de uma variedade de populações que são um desafio ao tratamento. É um recurso completo para estudantes e profissionais, apresentando a fundamentação teórica e o passo a passo da utilização das técnicas, além de exemplos clínicos de psicoterapia em terapia do esquema.

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Como funciona a abordagem?

A Terapia do Esquema (TE) é uma modalidade avançada de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) desenvolvida para tratar transtornos mentais mais refratários e/ou que não respondem satisfatoriamente à abordagem tradicional. Tem sua principal utilização para transtornos da personalidade, como transtorno de personalidade borderline, narcisista, obsessivo-compulsiva e antissocial, bem como para padrões rígidos e disfuncionais na forma de lidar com as situações interpessoais da vida. A abordagem enfoca um nível mais profundo de cognição, os Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs), e busca isso por meio da ativação emocional intensa de memórias mais remotas dos pacientes.

O que modifica na clínica essa abordagem?

Embora a estruturação da terapia e das sessões seja a mesma da TCC tradicional, na Terapia do Esquema além da ênfase ser no trabalho com os EIDs, o terapeuta também necessita fazer constantes ativações emocionais no paciente, pois são estas que permitem a identificação das memórias remotas associadas com os padrões de enfrentamento desadaptativos que afetam a qualidade de vida do indivíduo. A relação terapêutica tem uma importância crucial nesta abordagem, pois o trabalho terapêutico busca suprir necessidades emocionais básicas não atendidas adequadamente ao longo do desenvolvimento infantil e adolescente. Realizada por meio de duas relevantes ferramentas terapêuticas: a Reparentalização Limitada e a Confrontação Empática.

A TE é indicada para que perfil de paciente?

A TE tem uma de suas principais indicações para os transtornos de personalidade. Estes, por sua vez, são historicamente considerados transtornos muito difíceis, seja pelas altas taxas de abandono de tratamentos, seja por se constituírem em casos naturalmente refratários. Embora sejam pacientes complexos e, por vezes, difíceis de relacionamento terapêutico, pacientes com transtorno de personalidade borderline, narcisista e antissociais tem tido resultados muito sólidos. Em termos de limitações da TE, ela não é indicada para pacientes psicóticos, em situação de crise ou com recursos cognitivos limitados. Também não se justifica sua utilização com pacientes com quadros depressivos ou de ansiedade onde ainda não se utilizou a TCC tradicional. Isso porque a TCC tem alta eficácia nestes casos, não justificando o uso de uma terapia com maior carga emocional.

Como a Terapia do Esquema trabalha as bases familiares?

Dentro de suas bases teóricas, a TE demonstra como os estilos educacionais e afetivos dos pais e outros cuidadores (irmãos, amigos, professores etc) são cruciais no desenvolvimento saudável ou patológico da personalidade. Neste sentido, a TE dá grande destaque ao cuidado que a família deve ter em cada uma das etapas cronológicas do desenvolvimento infantil e adolescente (chamados Domínios Esquemáticos), fornecendo as necessidades emocionais básicas de cada um destes períodos. Assim sendo, a TE demonstra como o ser humano tem vulnerabilidades para o desenvolvimento de problemas emocionais e comportamentais específicos conforme a etapa do ciclo vital por que esteja passando. Em termos práticos, este conhecimento gera uma base de conhecimentos que permite um trabalho de prevenção primária com pais e famílias, no sentido de ensinar a estes quais os cuidados fundamentais no manejo com as crianças para que estas tenham um melhor e mais saudável desenvolvimento.

Qual foi o capitulo mais difícil de escrever?

Acredito que o capítulo sobre o desenvolvimento da personalidade e suas tarefas evolutivas tenham sido complexo em sua confecção em virtude da limitação de artigos específicos a respeito e por ser um material realmente inédito. A ênfase na maioria dos textos de TE versa sobre o patológico e, neste capítulo, tentou-se mostrar o desenvolvimento tanto na perspectiva normal quanto patológica.

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