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Sessões que transformam

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

As Sessões (The Sessions, 2012) é um filme difícil de ser definido. Mesmo com relação ao gênero, não parece haver consenso sobre se tratar de uma comédia, um drama ou um romance. Críticos parecem atribuir o sucesso do filme ora aos seus protagonistas, ora à direção, ora à própria história, boa em essência. O trio principal, Helen Hunt (indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo longa), John Hawkes (também indicado ao Globo de Ouro por essa atuação) e William H. Macy, de fato está incrível em seus respectivos papéis, e tanto filme quanto diretor foram lembrados em diversos festivais de cinema. Já a história, bem, a história é real.


Um belo filme, com um cartaz à altura.
[FONTE: Scene a lot of films]

O longa é baseado na vida do jornalista e poeta Mark O’Brien, que contraiu poliomielite aos seis anos de idade, ficando paralisado do pescoço para baixo desde então e dependente de um aparelho conhecido como pulmão de ferro para sobreviver. Mais precisamente, a história contada no filme é baseada no artigo escrito por Mark e publicado no jornal The Sun, em 1990. No texto, ele fala de sua experiência com a sex surrogate (substituta sexual, em tradução livre) Cheryl Cohen-Greene, cujo trabalho consiste em fazer com que seus clientes descubram sobre si mesmos e sobre o sexo, a fim de utilizar o aprendizado com suas parceiras. No caso de Mark, não apenas isso, ele precisaria descobrir de que forma fazer sexo dentro de suas limitações. E mais, perder a virgindade. 

Mark não é limitado apenas por sua deficiência, mas também por sua criação. Além de extremamente religioso, o poeta também convive com a culpa por acreditar que seus pais abriram mão de sua felicidade para lhe prover uma vida plena. No entanto, após ter redigido – a pedido de seu editor – uma matéria sobre a atividade sexual de deficientes físicos, Mark acaba repensando sobre o papel do amor e do sexo na sua vida. E é com a certeza de que quer trazer estes elementos para sua existência que Mark vai até a igreja pedir a benção do pároco para sua busca. Assim, ele encontra no padre Brendan não só apoio, mas um grande amigo e confidente.


Mark abre seu coração sobre sentimentos e otras cositas más em plena igreja.
[FONTE: Divulgação]

O roteiro que, em princípio, poderia parecer de comédia (homem com seus quase 40 anos procura perder a virgindade), ganha ares de drama (homem que vive com pulmão de ferro ultrapassa suas limitações para tentar viver o amor plenamente) e chega a flertar com a transgressão (ao trazer o contraponto entre religião e sexualidade). Nada disso acontece, no entanto, porque As Sessões nos apresenta todos os temas sempre com extrema humanidade e leveza. Por meio de personagens únicos e cativantes, conta uma história que nos deixa interessados no desfecho tanto quanto Padre Brendan ficava ao escutá-la. A direção acertada de Ben Lewin – que também sofreu de poliomielite na infância – torna possível incríveis momentos de delicadeza e simplicidade mesmo nas cenas mais explícitas, como as das sessões de Mark e Cheryl. Por mais que tenhamos na nossa frente dois adultos nus, tentando (e nem sempre conseguindo) realizar o coito, como é referido no filme, em momento algum vemos situações excessivamente erotizadas, romantizadas ou fantasiadas. É tudo muito natural. E, de novo, humano


Mark e Cheryl durante uma sessão de terapia, a sexual healin’ original.
[FONTE: Divulgação]

O sexo, em As Sessões, não é o fim, mas o meio. É por meio dele que Mark se considera finalmente adentrando na vida adulta; é por meio dele que Mark quer sentir-se finalmente apto para ter uma vida amorosa. E é por meio dele, também, que Mark recria suas relações humanas, criando e fortalecendo laços com pessoas que nem ao menos precisaram compartilhar de suas sessões. Em resumo, é um belo filme, originado de uma boa história, que nos faz refletir junto com o personagem principal sobre o papel do amor e do sexo em nossas vidas. E se é para terminar com uma frase de efeito, deixemos a palavra com o adorável Padre Brendan: “O amor é uma jornada… E é só isso mesmo.”


Este é o Mark O’Brien original e seu pulmão de ferro, no qual precisava passar 20h por dia.
[FONTE: Amongtheregulars]

A forma como se estabeleceu a relação entre Mark e Cheryl defintivamente não tem como inspiração o amor romântico de séculos passados. Uma leitura que tem tudo a ver com eles é o livro O Amor e Seus Labirintos , também disponível em e-book, de Gley P. Costa. O autor, reconhecido psicanalista brasileiro que escreveu várias obras sobre relacionamentos conjugais, traz uma abordagem culta e também criativa sobre as aflições humanas a respeito das relações afetivas, sem lente cor-de-rosa, mas sem perder a esperança no amor. Vale a pena conferir! =)

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