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Rosto digital para um esqueleto francês

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Um rosto destacou-se na multidão em meio ao último Fórum Internacional do Software Livre (FISL), cuja 14ª edição ocorreu entre os dias 3 e 6 de julho em Porto Alegre: o de Joaquim. Esse ilustre desconhecido imigrou da França para o Brasil no início do século passado – a viagem fora arranjada por uma família de médicos de Feliz (RS). O pouco que se sabe sobre sua vida na Europa diz que Joaquim foi presidiário e indigente, e morreu em 1920. Sim, Joaquim veio ao nosso país em nome da ciência: diversos estudantes de anatomia estudaram medicina por meio de sua ossada! Em 2006, o esqueleto foi doado para o Museu da História da Medicina (MUHM) e, agora, por meio do trabalho do artista 3D e referência na área da reconstrução facial Cícero Moraes, nós pudemos conhecer seu rosto


Joaquim na 3×4, a incrível sensação de finalmente conhecer alguém que faz parte da história da medicina
Fonte: Blog do Cícero Moraes

Por meio de tomografias computadorizadas do esqueleto de Joaquim e com o uso de dois softwares livres e de muita pesquisa (o passo a passo do projeto pode ser visto neste vídeo produzido pelo MUHM e é muito bacana), Cícero conseguiu reproduzir como teria sido a face do homem cuja história pouco se conhece. Modelos em 3D e técnicas forenses de projeção tornaram possível, a partir do crânio, demonstrar como eram suas feições, seu nariz e até mesmo sua mandíbula, que faltava no esqueleto. Esse é um trabalho incrível para a área da medicina forense: poder reconstruir um rosto – e um corpo! – baseando-se quase unicamente em sua ossada. Apostamos que todos vocês que conviveram com adoráveis esqueletinhos nos laboratórios de ciências de suas escolas ou faculdades gostariam de saber como eram seus semblantes. Nós aqui do blog aguardamos ansiosamente para ver o rostinho do querido Zequinha (substitua Zequinha pelo apelido dado ao esqueleto da sua escola), que tanto nos ensinou sobre o corpo humano.


Joaquim por partes: a partir da ossada, projeta-se o tecido muscular e cartilaginoso e, após, a pele. Por fim, cabelos, sobrancelhas e barba são demonstrados de acordo com seu biotipo
Fonte: Blog do Cícero Moraes

O mais incrível nesta história toda foi que o Cícero nos contatou para agradecer e dizer que dois livros da editora Artmed sobre anatomia o ajudaram muito na realização do projeto! Ficou curioso? Então confira Anatomia – Texto e Atlas, de Werner Platzer, e Atlas de Anatomia Humana, de Patrick w. Tank e Thomas R. Gest. Muito legal, não é mesmo? o/

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