Sobre livros

Perfil :: Aristides Volpato Cordioli

0

Um apaixonado pela psiquiatria. Aristides Volpato Cordioli é doutor em Psiquiatria, professor do Departamento de Psiquiatria da UFRGS e, desde a década de 1990, pesquisa sobre Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Tem inúmeros artigos publicados na área e reconhecimento internacional. É autor de livros como Psicofármacos: consulta rápida, Psicoterapias: abordagens atuais e Vencendo o transtorno obsessivo-compulsivo

Com 50 anos de carreira e diversas publicações, suas pesquisas giram em torno dos transtornos de ansiedade, especialmente transtorno obsessivo-compulsivo, psicoterapias em geral, terapia cognitivo-comportamental, terapia em grupo e psicofármacos. Cordioli foi, ainda, presidente da Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e do Centro de Estudos Luis Guedes, em Porto Alegre. 

 

Quando surgiu o seu interesse pela psiquiatria e como foi o seu primeiro contato com a TCC? 

É muito antigo. Lá pelos anos 60 quando iniciei a faculdade de medicina. Mas somente nas férias, em um estágio como clínico geral, no interior do Rio Grande do Sul, no qual atendi mais de 200 pacientes, e conversando percebi que muitos procuravam atendimento por questões emocionais, angustias e problemas psiquiátricos. Essa experiência foi bastante decisiva ao final do curso para a minha especialização. Conversar com as pessoas e entender seus problemas me deu muita satisfação. No último ano da faculdade, fiz estágio em psiquiatria somente para confirmar a minha real vocação e paixão. Lecionar também era algo que me motivava muito, e, após finalizar o mestrado, assumi como professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Não posso dizer que não me interessei pelas demais áreas da medicina, mas foi na psiquiatria que visualizei o meu futuro dentro da carreira medica. 

O meu contato com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) aconteceu nos anos 80, quando pesquisava sobre o tratamento de fobias e transtornos. Passei a perceber que muitos pacientes não reagiam aos tratamentos da época, pois eram genéricos e não se encaixavam no modelo psicodinâmico. Junto com alguns colegas passamos a estudar e aplicar nossos estudos de terapia comportamental nos pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e os resultados começaram a aparecer. No final dos anos 90, após realizar cursos específicos para a área, percebi que poderíamos ir além tanto no tratamento tanto em pacientes com TOC, quanto nos tratamentos de ansiedade. 

 

O senhor dedicou muitos anos para pesquisa e tratamento do TOC. Como o tema entrou na sua vida? 

Minha grande paixão, me levou a desenvolver e publicar diversos artigos e estudos sobre o tema, inclusive em revistas estrangeiras. Percebi que os pacientes com TOC estavam abandonados por ser um diagnóstico difícil de dar. Era frustrante. Neste tempo a imprensa também contribuiu muito para a disseminação do tema e resultou em um conhecimento geral da população. Montamos um grupo de pesquisa sobre terapia de exposição e prevenção e passamos a aplicar em pacientes. Os resultados obtidos em pouco tempo foram muito animadores. Após, realizei o doutorado e a criação de uma linha de pesquisa que se consolidou ao logo dos anos. 

 

O que mais encanta na profissão? O senhor teria feito algo de diferente? 

São as pessoas, os pacientes, os alunos. O ensino de um lado e a atividade clínica. Me considero um homem feliz, é extremamente gratificante, nestes 50 anos de profissão, saber que ajudei a diminuir o sofrimento de uma outra pessoa. Sempre quis entender e conhecer o porquê dos sofrimentos e poder contribuir para uma vida mais leve, sem dor ou angustia, é demais. Eu tenho muita gratidão. E faria tudo de novo. Ter o reconhecimento de pacientes e colegas de profissão também me enche de orgulho. 

 

Nestes anos de carreira o senhor deve ter muitos fatos curiosos. Poderia nos contar algum? 

Eu nunca pensei em virar escritor e publicar livros. Este fato pra mim é um dos mais curiosos e especiais da carreira. Foi completamente casual. Depois do primeiro livro, em 1992, não parei mais. E receber esse retorno positivo tanto da sociedade de psiquiatria, quanto dos colegas, é revigorante. 

 

 

 

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.