Ciência curiosa

Orientação política pode ser genética

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Desde os primeiros estudos sobre o cérebro, o homem se pergunta o quanto nosso comportamento é resultado de escolhas racionais e o quanto somos produto da genética e da disposição de nossos neurônios. Pesquisas recentes indicam que até mesmo nossa orientação política pode ser definida pelos processos químicos que ocorrem na nossa cabeça e não por opiniões bem fundamentadas ou identificação moral.


É tanta descoberta nova que o cérebro vai entrar em crise existencial
[FONTE: The Press]  

Estudos na Inglaterra e nos Estados Unidos investigam a relação entre o cérebro e o posicionamento político. À frente das pesquisas, estão neurocientistas e psicólogos trabalhando em conjunto. Um dos líderes do estudo é o norte-americano Dr. Darren Schreiber que, por meio de ressonância magnética, obteve imagens dos cérebros de pessoas que se declaravam conservadoras ou liberais enquanto solicitava a elas que tomassem determinadas decisões.

Embora as decisões tomadas não tenham variado muito, as áreas cerebrais ativadas não foram as mesmas entre os dois grupos. Isso indica que conservadores e liberais baseiam suas decisões em percepções e sensações diferentes. Em Londres, estudos do Dr. Read Montague, também indicam que a genética tem um peso considerável sobre a visão de mundo das pessoas.


Poder de persuasão ou pura genética?
[FONTE: Findlay

Mas, afinal, o que exatamente esses pesquisadores enxergaram para chegar a essas conclusões? A estratégia londrina foi exibir às pessoas imagens que, tipicamente, provocam medo ou repulsa (como um homem comendo de boca aberta), e observar como o cérebro dos conservadores e dos liberais reagia. Via de regra, os que têm atitudes mais reservadas em relação à imigração, maior tendência a punir crimes com severidade e resistência à legalização do aborto mostraram reações muito mais intensas às imagens repulsivas. Enquanto o cérebro delas era amplamente ativado pelo nojo, o cérebro dos mais liberais não era tão impactado.

É claro que os pesquisadores não tardam em ressaltar que os seres humanos são complexos demais para serem reduzidos a uma porção de processos neuronais. Como demonstra o livro Continuum, o corpo, o cérebro e a mente constituem uma construção unitária dos seres humanos. A biologia evolutiva está revolucionando a maneira como pensamos a relação entre genes e subconsciente, mas as influências sociais e culturais também são determinantes na visão de mundo de um indivíduo. Embora talvez nunca cheguemos a respostas exatas, o importante é continuar explorando os mistérios da mente e ampliando nosso conhecimento a respeito do que é, afinal, ser humano.

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