Ciência curiosa

Mentira que não dói nem dura

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Que atire a primeira pedra quem nunca apelou para uma mentirinha na vida a fim de não desagradar à audiência. Mesmo aqueles que acreditam ter as convicções imaculadas podem muito bem ter passado por cima delas e emitido uma opinião não tão pessoal assim para se manter na turminha. Esse tipo de atitude nada tem a ver com caráter (ou com a falta dele). Ela é oriunda da conformidade social, que nada mais é do que a influência que sofremos do grande grupo para nos ajustarmos ao pensamento coletivo. No entanto, cientistas chineses descobriram que os efeitos diretos desse fenômeno podem ter um prazo de validade bem curto. 


Reuniões de família são o ambiente ideal para observar os efeitos da conformidade social. Quem quer começar uma guerra com entes queridos por opiniões conflitantes?
[FONTE: Kindo]

Na verdade, somos constantemente influenciados pelos valores e costumes da sociedade na qual vivemos. Ou seja, é extremamente comum que, como seres sociais, tenhamos a tendência de adequar nossas opiniões às do grande grupo. Pelo menos enquanto estamos diante dele! E essas temáticas referentes ao comportamento humano e suas formas de expressão e representação dentro da sociedade são objeto central da antropologia cultural. Um Espelho para a Humanidade – Uma Introdução à Antropologia Cultural, também disponível em e-book, é uma obra de referência na área e é uma leitura essencial para quem quer compreender os efeitos da cultura sobre o indivíduo e entender melhor os conceitos sobre os quais se basearam o estudo chinês. Pesquisa que, aliás, trouxe uma nova perspectiva sobre a coerção que exercemos uns sobre os outros.


A convivência social exige empatia e simpatia!
[FONTE: Vague]

No experimento, voluntários deveriam avaliar imagens de pessoas de acordo com sua aparência. Quanto mais atraente, maior a nota. No entanto, antes de dar a sua humilde opinião, eles tiveram acesso a um falso ranking da beleza, supostamente originado das avaliações de 200 estudantes. Sendo assim, a hipotética classificação oriunda de um grupo maior foi uma forte influência sobre as respostas dos participantes. Porém, eles deveriam retornar para novas avaliações (dessa vez, sem interferência dos pitacos de outrem) em três dias, em uma semana e em três meses. No primeiro retorno, as opiniões permaneciam sob a influência da gradação fake de formosura, mas nas coletas de dados seguintes, voilá!, as respostas dos voluntários variavam, tornando-se mais pessoais.


Enquanto grupo todo mundo concorda, já quando ninguém está vendo…
[FONTE: Above the law]

De acordo com os autores do estudo, isso explicaria aquela sensação de leveza e liberdade que sentem as pessoas que retornam ao serviço após um feriado prolongado. Acontece que esses poucos dias são suficientes para que sejam esquecidas as pressões e as opressões do ambiente de trabalho. Quando nos afastamos de um grupo e nos unimos a outro, absorvemos novas normas e deixamos as antigas de lado. No experimento, entretanto, os participantes foram expostos a uma influência social bastante fraca e pontual. O que significa que as influências mais contínuas, tais quais as que atuam dentro de uma unidade social como a família, terão efeitos mais duradouros. E então, amigos, para fugir dos efeitos da coerção, só se tornando um ermitão na montanha! Mas quem não quer pertencer a um grupo

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