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Ciência curiosa

Macacos, chips e cérebro novo

Imagine o seguinte cenário: macacos guiados por chip implantados em seus cérebros se tornam super inteligentes e são capazes de realizar certas tarefas cognitivas tão bem quanto humanos. Parece roteiro de ficção científica, daquelas bem apocalípticas, mas é uma história real. Um experimento realizado na Universidade de Wake Forest com nossos estimados parentes distantes resultou na criação de um implante que, basicamente, controla os pensamentos, melhorando a tomada de decisões e memória. E sabem o que é mais incrível? Isso mesmo, amigos, se a pesquisa continuar a se desenvolver, em breve, nós poderemos ter dispositivos dentro de nossa cabeça nos dizendo o que fazer. Assustador? 


Falando assim, até parece coisa de cientista maluco de filme B, mas é pura e moderna ciência!
[FONTE: The Guardian]

Nem tanto! Brincadeiras à parte, esse experimento é um grande passo para, futuramente, melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças mentais e demência. Pois, caso a experiência venha a ser bem sucedida também em humanos, pessoas que têm alguma limitação cerebral ou que tiveram um derrame, por exemplo, podem se beneficiar do chip, que irá criar novas conexões neurais, substituindo a área danificada do cérebro. E essa é uma tremenda evolução para a área dos transtornos mentais, cuja identificação e tratamento é foco do livro Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, um clássico e indispensável livro-texto para os futuros profissionais desse campo. Outra preciosa dica de leitura para a área da saúde mental e da psiquiatria é o DSM – IV – TR – Casos Clínicos, no qual profissionais relatam seus casos e analisam seus tratamentos, auxiliando o leitor no diagnóstico e no acompanhamento de doenças mentais. Afinal, enquanto não temos tecnologias avançadas como esse implante à disposição, são essas pessoas que podem, hoje, melhorar muito a vida de quem tem alguma limitação. 😉 

 

Será que o pesadelo de algumas pessoas vai se tornar realidade e andaremos por aí com chips no cérebro?
[FONTE: Science Kids]

Voltando aos heroicos macacos da pesquisa: eles foram treinados durante dois anos para reconhecer a imagem de um rosto ou objeto, previamente apresentado, dentre um conjunto de outros tantos. Quando eles estavam tinindo na execução da prova, com uma média de 75% de acerto, o estudo começou. Cientistas, então, por meio de eletrodos afixados no córtex pré-frontal (área associada a memória, pensamento, atenção e linguagem), capturaram os padrões neurais enquanto os macaquinhos eram bem sucedidos em suas tarefas. Com o implante já colocado e em ação, esse mesmo padrão foi acionado e reforçado dentro do cérebro dos primatas em novas tentativas da mesma tarefa, e os resultados melhoraram em cerca de 10%. Mas o experimento não parou por aí.


Acreditamos firmemente que esse belo espécime dispensa o chip da inteligência. 
[FONTE: Hir Ma]

Para ver se essa história de chip era quente mesmo, os pesquisadores doparam os animais – em nome da ciência, hein? Não faça isso em casa. Em condições muito desfavoráveis ao raciocínio e sem o implante, nossos amigos tiveram uma queda de 20% no rendimento. Mas agora vem a parte mais interessante: com o chip em funcionamento e mesmo com sua capacidade de tomar decisões alterada pela droga, os macacos obtiveram resultados similares aos da versão sóbria da experiência. Ou seja, mesmo temporariamente debilitado, o cérebro funcionou da mesma forma que se estivesse alerta. E é por isso que os responsáveis pelo experimento têm a esperança de um dia poder utilizar o chip da inteligência para contornar perdas neurais. E não é só isso! Eles acreditam que mesmo humanos saudáveis poderão utilizar o implante para melhorar a inteligência. E aí? Quem se habilita?

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