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Luciano Pavarotti! O nome dele era Luciano Pavarotti!

Jogo de mímica. Minha dupla representando com talento o famoso tenor, tanto que eu já sabia de quem se tratava, mas… “Um dos três tenores! Italiano! Usa uma echarpe branca! Casou com a secretária!” (Deus, de onde eu tirei essa informação!?).

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A areia escorrendo na ampulheta. A minha dupla já desesperada… Acabou o tempo e eu não dei a resposta correta :(

Não teve jeito de eu lembrar o nome!

Você já passou por algo parecido? Esqueceu onde deixou a chave do carro (clássico!)? Terminou de tomar banho e não lembrava se tinha passado xampu nos cabelos? Foi cumprimentado na rua efusivamente por alguém que ainda hoje não faz ideia de quem era? Apareceu uma semana depois para um evento (eu fui a um lançamento de livro uma semana antes…)? Os exemplos são infinitos, não? E às vezes nos colocam em situações que vão do hilário ao constrangedor e até perigoso.

De imediato, já colocamos a culpa na memória (ou na falta dela): “Meu Deus, eu não lembro de nada. Minha memória está muito ruim!”, “Desculpe, é que eu ando muito desmemoriado”, e por aí afora.

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Bom, mas não vamos ser muito duros conosco e com nossos esquecimentos, certo? Segundo o doutor Ivan Izquierdo, um dos principais pesquisadores mundiais sobre o funcionamento da memória, esquecer é preciso:

“Sem o esquecimento, o convívio entre os membros de qualquer espécie animal, inclusive os humanos, seria impossível. Cada reunião de condomínio, cada jogo de futebol, cada eleição para vereador ou cada discussão de um casal acabariam em um desastre […] A maioria de tudo aquilo que aprendemos, de todas as inúmeras memórias que formamos na vida, se extingue ou se perde”. (Izquierdo, 2018, p. 11)

Mais, como afirmou Nietzsche:

“É possível viver quase sem lembranças e viver feliz, como demonstra o animal, mas é impossível viver sem esquecer”.

Não se trata, claro, apenas de esquecer situações ruins e pequenas mágoas do dia a dia, e sim de deixar “espaço” para o que realmente importa ou para aquilo que para os outros pode parecer sem relevância, mas que de alguma forma nos desperta interesse especial.

Mesmo que esquecer seja necessário, lembrar é o que nos define. Como disse Norberto Bobbio: somos o que recordamos. Ou seja, somos formados por um conjunto de memórias.

Mas, afinal, o que é a memória?

Ivan Izquierdo, em seu livro Memória, cuja 3ª edição será lançada no segundo trimestre deste ano, explica:

“‘Memória’ significa aquisição, formação, conservação e evocação de informações. A aquisição é também chamada de aprendizado ou aprendizagem: só se ‘grava’ aquilo que foi aprendido. A evocação é também chamada de recordação, lembrança, recuperação. Só lembramos aquilo que gravamos, aquilo que foi aprendido”. (2018, p. 1)

E não existe apenas um tipo de memória. Ainda segundo Izquierdo, as memórias podem ser classificadas de acordo com:

• sua função (memória de trabalho ou operacional)
• o tempo que duram (memórias de curta ou longa duração e memórias remotas)
• seu conteúdo (as memórias declarativas, as autobiográficas ou episódicas, as semânticas)

Ou seja, há memórias que nos auxiliam apenas em determinado momento, como lembrar onde deixamos as chaves do carro algumas horas antes a fim de poder encontrá-las e depois esquecer essa informação, que já não será mais útil, pois é provável que no dia seguinte nós as deixemos em outro lugar. E memórias que utilizamos com frequência e que precisamos acessar praticamente todos os dias, como conteúdos e procedimentos relevantes para nossa profissão, o caminho de volta para casa, datas importantes, entre muitas outras.

E a sua evocação também pode ocorrer das mais diversas formas. Eu, por exemplo, canso de ser “jogada” de volta à minha infância quando sinto cheiro de pão assando (lembro da minha avó).

Sendo a memória tão importante, mas podendo falhar, não há por que não lançar mão dos recursos disponíveis para auxiliá-la, certo? Hoje carregamos na palma da mão, graças aos smartphones, recursos como calendários, agendas, diários, bilhetes, listas, avisos sonoros, entre outros, que facilitam demais as nossas vidas tão atribuladas.

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Nem sempre, no entanto, poderemos lançar mão desses recursos. No meio daquele jogo de mímica que relatei seria desonesto de minha parte consultar o Google, não é? O mesmo vale para situações mais sérias, como, por exemplo, uma prova de concurso.

Para esses casos, valem algumas dicas e técnicas de memorização. É possível encontrá-las facilmente na internet, mas é aconselhável testar as que mais se adequam a você e ao seu estilo de aprendizagem.

Alan Baddeley, Michael W. Eysenck e Michael C. Anderson, em seu livro Memória, apresentam várias dessas técnicas. Entre elas, a técnica dos mapas mentais costuma me auxiliar bastante.

Um mapa mental é um diagrama em que uma ideia central é ligada a diversas outras ideias e/ou conceitos de maneira bem flexível, mas com os conceitos e as palavras mais importantes escritos em maiúsculas e próximos ao conceito central e os demais conceitos e palavras escritos em letras menores e mais afastados do conceito central, conforme a imagem a seguir (Baddeley, Eysenck e Anderson, 2010, p. 395):

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É apenas um exemplo, mas espero que possa ser útil também para você!

Lembrei (!) agora de Drummond, e com as palavras dele me despeço:

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Abraço!

Cláudia Bittencourt é Coordenadora Editorial de Ciências Humanas do Grupo A.

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