Ciência curiosa

Jovem extrovertido, vovô feliz

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O envelhecimento é uma das coisas que mais despertam sentimentos conflitantes nas pessoas. Ao mesmo tempo em que muitos não vêem a aproximação dessa fase mais avançada da vida – e suas eventuais dificuldades – com bons olhos, no fundo esperam ardentemente a sua vinda. Afinal, quem não quer viver o máximo possível? O segredo do sucesso não é apenas conseguir chegar lá, mas o fazer com saúde e bem estar. E é por isso que a ciência não cansa de estudar e tentar descobrir qual o segredo para garantir um envelhecimento feliz. Uma pesquisa feita na Universidade de Southampton, no Reino Unido, revelou que o comportamento do indivíduo no início da sua vida adulta influencia, e muito, a sua qualidade de vida na terceira idade. Os resultados desse estudo apontaram (rufem os tambores): adultos extrovertidos serão velhinhos mais felizes


Se tem algo que podemos aprender com os cães é a sermos sociáveis e extrovertidos. Deve ser por isso que eles sempre parecem tão felizes. 
[FONTE: Seat means seat]

Talvez essa não seja a melhor das notícias para os tímidos, mas nem tudo está perdido. O estudo, conduzido em parceria com as universidades de Edimburgo e Londres, não parou na extroversão e investigou também a neurose, bem como as relações de ambas, quando existentes, no início da fase adulta com o bem-estar e a satisfação pessoal na terceira idade. Para chegar a seus resultados, a pesquisa durou 40 anos (!) e contou com a participação de mais de 4,5 mil pessoas. Todos os indivíduos entrevistados nasceram no ano de 1946. Eles responderam a questionários aos 16 anos e aos 26 anos, nos quais a extroversão foi avaliada em termos de energia, sociabilidade e orientação ativa e a neurose foi medida por questões referentes a estabilidade emocional, humor e tendência a se distrair facilmente. Décadas mais tarde, cerca de 2,5 mil participantes retornaram e, entre seus 60 e 64 anos, responderam a novas perguntas, dessa vez relacionadas a seu bem estar e seu nível de satisfação com a vida, além de discorrerem sobre sua saúde física e mental. Dentre as respostas, os cientistas, então, encontraram um padrão. 


Se você não é do tipo sociável, não se abale. A ausência de comportamento neurótico também influencia positivamente o envelhecimento. Mantenha o bom humor. 
[FONTE: Concordia]

Altos níveis de extroversão na juventude foram diretamente relacionados aos bons resultados quando o assunto é bem-estar e satisfação. Isso porque vovôs extrovertidos se mostraram com mais amigos, maior autonomia e com uma visão positiva de seu crescimento pessoal. Já a presença de neurose no início da vida adulta pareceu estar relacionada, indiretamente, a um bem-estar mais baixo. Os que se revelaram jovens neuróticos nos primeiros questionários mostraram-se mais suscetíveis a maior estresse na terceira idade e, consequentemente, a uma pior saúde física. De acordo com a doutora Catherine Gale, uma das autoras do estudo, é importante investigar e conhecer o que torna as pessoas idosas felizes, pois hoje sabemos: quem é feliz vive mais. Embora a pesquisa restrinja o efeito (e a possibilidade de mudança) dessas características só para os menores de 26 anos, nós aqui do BlogA acreditamos que nunca é tarde demais para se dedicar a envelhecer bem e com saúde.


Felicidade não tem idade.
[FONTE: Love Blog]

A terceira idade é um período de muitas mudanças, tanto no plano biológico, com as transformações ocorridas no organismo, quanto no plano emocional, devido à adoção de um diferente estilo de vida, à saída do mercado de trabalho e a novas dinâmicas na vida familiar. É verdade que, quando envelhecemos, estamos mais sujeitos a alguns contratempos, digamos assim, como a deterioração da memória e o surgimento de limitações físicas. Mas, também, muito se ganha: é o momento em que, com a sensação de dever cumprido, podemos parar um pouquinho para admirar a nossa jornada. O livro Psicologia do Envelhecimento aborda questões emocionais, cognitivas e sociais relacionadas ao envelhecimento. Por incluir as mais recentes pesquisas da área e um completo glossário de termos psicológicos e neurofisiólogicos, essa é uma leitura essencial para todos os profissionais que trabalham com a melhor idade. 😉

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