Ciência curiosa

Final feliz na telona e na vida

0

As estatísticas atuais não são nada generosas com os casamentos. Em países como os Estados Unidos, metade deles termina em divórcio, muitos dos quais em seus primeiros cinco anos de vida. Parece que o “felizes para sempre” está cada vez mais condenado a ficar apenas na ficção. Mas nem tudo está perdido! Não estamos aqui querendo acabar com a fé do leitor no amor. Pelo contrário, iremos renová-la. Um estudo realizado na Universidade de Rochester acredita ter encontrado um antídoto para o divórcio prematuro e é muito simples: basta que os pombinhos assistam a filmes juntinhos e os comentem depois. 


Assistir a um filme de casalzinho não é apenas romântico como também pode ser terapêutico. 
[FONTE: Favim]

O experimento durou cerca de três anos e foi realizado com 147 casais. A interferência na vida de cada par de voluntários foi bastante simples: durante um mês, de forma controlada pelos cientistas, eles assistiram a filmes e, após, os debateram, com base em perguntas pré-determinadas pela equipe de cientistas. E aí vem um twist: não pode ser qualquer filme, sequer qualquer filme romântico. A maior parte dos romances mostra a conquista, as barreiras ultrapassadas pelos apaixonados até ter para si o ser amado. Todo o sofrimento, sim, mas só o que vem antes do beijo. O casal fica junto na última cena do filme, lindo, mas e o que vem depois? E a rotina massacrante do relacionamento? E as dicussões infinitas pra ver de quem é a vez de lavar a louça? Por essas e outras, os filmes utilizados no estudo e indicados para quem quiser tentar isso em casa (dessa vez pode!) são aqueles que mostram as reais pendengas do casamento, com o casal tentando, de fato, resolver seus problemas e manter a união.


Em Um Caminho para Dois, um casal relembra, durante uma viagem pela Europa, os momentos bons e difíceis da relação de 12 anos. 
[FONTE: Prazer Cinematográfico]

Dentre os títulos sugeridos pelos pesquisadores (anotem aí!) estão: 

– Um Caminho para Dois (Two for the Road, 1967), de Stanley Donen

– Lar… Meu Tormento (Mr. Blandings Builds his Dream House, 1948), de H. C. Potter

– Maridos e Esposas (Husbands and Wives, 1992), de Woody Allen

– …E o Vento Levou (Gone with the Wind, 1939), de Victor Fleming

– Nosso Amor de Ontem (The Way We Were, 1973), de Sydney Pollack

– Melhor é Impossível (As Good As It Gets, 1997), de James L. Brooks

– A Costela de Adão (Adam’s Rib, 1949), de George Cukor 

– Love Story – Uma História de Amor (Love Story, 1970), de Arthur Hiller

Ou seja, a lista contém muitos filmes clássicos e de diretores consagrados. Além de salvar o casamento, a dupla ainda pode ganhar muito em cultura cinéfila. 😉


Casal que assiste a …E o Vento Levou unido, permanece unido (ao menos pelo tempo de projeção do filme, o que já é bastante).
[FONTE: Blog do Jotacê]

Após a intervenção com os pares voluntários, os resultados obtidos pelos cientistas de Rochester demonstraram uma diferença no número de divórcios ocorridos nos três anos seguintes, na comparação entre o grupo participante e grupo controle. De acordo com o Dr. Ronald Rogge, foram 50% menos separações dentre aqueles que assistiram aos filmes durante o experimento. Para ele, apesar de ter sido voltada aos novos casais, a pesquisa pode beneficiar também os casais mais antigos, que podem aproveitar para analisar sua relação à luz do conteúdo visto na telona. Embora os primeiros anos sejam os mais difíceis, isso não significa que os casamentos veteranos sejam à prova de bala, por isso é importante tirar um tempinho para cuidar e cultivar o relacionamento. 


O final feliz dos flimes é possível na vida real também.
[FONTE: SOC]

Para os enamorados que se empolgaram com a possibilidade de praticar essa divertida e prazerosa terapia de casal, não podemos deixar de fazer uma indicação de leitura. Em O Amor e seus Labirintos, Gley P. Costa fala de forma erudita e bem-humorada sobre relacionamentos, sem lentes cor de rosa, mas também sem perder a esperança no amor. Pronto! Com filminho, debate, leitura de especialista, açúcar e afeto na receita, não tem amor que não dure. 

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.