Sobre o BlogA
Comprar
Livro

Papo de Editor

Em pauta: a tecnologia e os rumos da educação formal

*Por Sandra Chelmicki

“Em tempos de mudança, aqueles que aprenderem herdarão a Terra, enquanto aqueles que já aprenderam encontrar-se-ão esplendidamente equipados para lidar com um mundo que não mais existe.”
Eric Hoffer1

Reuniões de pauta costumam ser, em qualquer publicação, cenário de debates intensos e diversos. Com as reuniões mensais da BMJ Brasil (para a definição de temas da edição seguinte) não é diferente. Em um de nossos encontros, um dos participantes do conselho editorial, que também é professor de Medicina, assim como a maioria dos outros membros, questionou como os seus pares lidam com a postura dos estudantes das novas gerações, que parecem nunca prestar atenção, sempre mais preocupados com seus gadgets, celulares e afins.

Como o conhecimento pode ser retido em meio a tantas distrações: trocas de mensagens, acessos e postagens no Facebook e no Twitter? Os futuros médicos conseguirão aplicar seu aprendizado na prática clínica? Serão capazes de ouvir atentamente um paciente, condição primordial para um bom atendimento? E, por outro lado, como os professores estão enfrentando o desafio de manter a atenção desses estudantes que parecem tão dispersos e incapazes de manter a concentração e o foco? Muitos acham esse novo universo maravilhoso, certamente, mas atire o primeiro smartphone quem nunca pensou em confiscar o celular de um aluno desatento.

social media vintage foto's

Um bom ponto de partida para essas reflexões é o livro Homo Zappiens1, que demonstra que as crianças, crescendo em um mundo de tecnologia e de mudanças constantes, apresentam maior relutância em encaixar-se no sistema educacional do que qualquer outra geração antecedente. Uma vez que a tecnologia nos capacita a obter informações com facilidade, a sociedade está mudando seu modo de considerar a aprendizagem, passando da simples obtenção da informação à comunicação, à interpretação e à negociação. Segundo esse livro, enquanto julgarmos a geração “Homo zappiens” por parâmetros ultrapassados, nunca entenderemos que seu comportamento é, na verdade, uma estratégia que começa a surgir para lidar com nosso futuro digital e criativo.

As dúvidas sobre o futuro da educação formal atingem a todos: pais, educadores, sociedade. Existem muitas formas de interpretar essa nova realidade, e qualquer conclusão nesse sentido é arriscada. Mas na nossa reunião de pauta chegou-se a um mínimo consenso: parece que a saída, já que não há estrada de volta no caminho da evolução, é tornar as aulas formais, enquanto elas predominarem na academia, mais atraentes. Assim, existiria a possibilidade de uma convivência frutífera entre as gerações X, Y e Z. “Aula é teatro”, disse um dos conselheiros. Para ele, é imprescindível que o professor tenha a habilidade necessária para fisgar e manter a atenção do aluno. Portanto, nada de confiscar os gadgets e celulares no início de cada aula.

1Homo Zappiens – Educando na Era Digital, de Wim Veen e Ben Vrakking.

* Sandra é editora sênior da área de publicações técnicas e profissionais.

Quer receber todo mês as novidades do Grupo A direto no seu e-mail?




Enviando...

Email Inválido