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Como funciona a leitura?

Milhões de frases, bilhões de palavras, trilhões de caracteres: esse é o dia a dia aqui na editora (e aposto que o seu também, bibliófilo de plantão!). São tantos livros diferentes que fica até difícil parar para pensar na complexidade que envolve o processo de leitura. Parece simples: pegar o livro, ler as frases, interpretar o texto e pronto! Conhecimento devidamente armazenado para ser acessado em um momento oportuno.

Pois um lançamento que chegou alguns dias atrás à nossa mesa mostra que há muito mais operações intricadas entre uma página e nosso cérebro do que sonha nossa vã filosofia. Em Os Neurônios da Leitura, o estudioso francês Stanislas Dehaene, professor do Collège de France, lançou-se em uma jornada para desvendar o mistério da leitura. E precisou de um livro inteiro só para compartilhar suas descobertas:

“A princípio, a operação da leitura nos parece mágica: basta pousar o olhar sobre uma palavra e, sem o mínimo de esforço aparente, nosso cérebro nos dá acesso ao seu sentido e a sua pronúncia. No entanto, esse problema não é simples, já que os melhores softwares de reconhecimento se defrontam sempre com dificuldades. Quando entra na retina, a palavra é esfacelada em milhares de fragmentos: cada porção de imagem da página é reconhecida por um fotorreceptor distinto. Toda a dificuldade consiste, em seguida, em reunir os fragmentos a fim de decodificar as letras sob processo, na ordem em que são apresentadas, e a palavra em questão.”

Este trecho apresenta bem a complexidade e sofisticação do processo:

“O tratamento da escrita começa no olho. Somente o centro da nossa retina, chamado de fóvea, possui uma resolução suficientemente elevada para reconhecer os detalhes das letras. Devemos, pois, deslocar nosso olhar sobre a página a fim de identificar, a cada pausa do olho, uma palavra ou duas. Desmembrada em milhares de fragmentos pelos neurônios da retina, a cadeia de letras deve ser reconstituída antes de ser reconhecida. Nosso sistema visual extrai progressivamente o conteúdo dos grafemas, sílabas, prefixos, sufixos e radicais das palavras. Entram enfim em cena duas grandes vias paralelas de tratamento: a via fonológica e a via lexical. A primeira permite converter a cadeia de letras em sons da língua (os fonemas). A outra permite acessar um dicionário mental onde está armazenado o significado das palavras.”

Ufa! E você pensando que era mole terminar aquele livro de 100 páginas em uma sentada!

Reading and Mimi
Imagem via Flickr

Saiba mais sobre a obra de Stanislas Dehaene, Os Neurônios da Leitura, que ganhou o prêmio de melhor livro científico do ano segundo o jornal Washington Post.

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