Ciência curiosa

Câncer de mama e o Efeito Angelina

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Nesse mês de outubro, como acontece desde 1997, está sendo celebrada a campanha Outubro Rosa. Mais do que uma forma de homenagear todas as mulheres que lutam contra o câncer de mama, o movimento pretende chamar a atenção para a gravidade da doença e a importância da realização de exames preventivos, que aumentam consideravelmente as chances de cura. Um estudo recente demonstrou que a campanha ganhou um reforço bastante curioso na conscientização sobre o câncer de mama e na busca pela prevenção: o chamado Efeito Angelina. 


A conscientização acerca do câncer de mama ganhou um reforço inesperado e hollywoodiano. 
[FONTE: Virgin]

Em maio de 2013, a atriz e diretora de cinema Angelina Jolie publicou uma carta aberta no The New York Times, na qual relatava sua escolha médica. Após perder a mãe em uma longa batalha contra o câncer, Angelina realizou exames de rastreamento genético e descobriu uma grande chance de vir a desenvolver a doença. Considerando os riscos e, principalmente, o bem estar de seus filhos, Jolie optou por realizar uma dupla mastectomia antes mesmo de desenvolver tumores nas mamas. A atitude gerou bastante polêmica na época, mas a verdade é que foi muito corajosa. 

O fato de Angelina ter tomado pública sua decisão teve impacto não apenas na sua própria saúde, mas na de muitas outras mulheres. Imediatamente após a carta, houve um aumento na busca pelo exame feito pela atriz. Na Inglaterra, de acordo com a pesquisa, houve uma mudança considerável: os 1.900 exames realizados por mês pularam para cerca de 4.800 mensais.  


Mãe e filha posam juntas: a beleza é herança genética, mas, infelizmente, alguns tipos de câncer também são.  
[FONTE: Mirror]

O exame realizado por Angelina Jolie é feito a partir de uma tecnologia recente capaz de detectar mutação nos genes BRCA, que é hereditária e maléfica, aumentando o risco de câncer de ovário e de mama. Embora a mãe, Marcheline Betrand, tenha falecido após desenvolver a doença nos ovários, a filha detectou um alto índice com 87% de chances de apresentá-la nas mamas. A mutação do BRCA não é a única causa possível para esse tipo de câncer, mas a questão genética é um dos grandes fatores de risco. A detecção dessa mutação não necessariamente levará a uma mastectomia preventiva, mas aumentará a chance de um diagnóstico precoce, multiplicando as chances de sucesso no tratamento. 

Os responsáveis pelo estudo, no entanto, alertam para o lado negativo da influência da atriz. Para mulheres que não possuem a mutação do BRCA, a mastectomia preventiva pode fazer mais mal do que bem. Por isso, é importante evitar cirurgias desnecessárias e ter o acompanhamento profissional adequado. Com as devidas indicações médicas, porém, a escolha final sobre sua saúde pode ser da mulher, e esse empoderamento é muito importante. 


O histórico das mulheres da família também é um dado importante na prevenção do câncer de mama. 
[FONTE: Brookside Baby]

O Efeito Angelina, portanto, se alinha à proposta do Outubro Rosa por mostrar às mulheres que é necessário estarem atentas aos riscos do câncer de mama e familiarizadas com a biologia da doença, a fim de que estejam preparadas não apenas para combatê-la, mas para poder prestar suporte a outras mulheres diagnosticadas. Além disso, a atitude da atriz foi essencial para desmistificar a mastectomia, responsável por salvar muitas vidas, mas que nem sempre é encarada com naturalidade pela sociedade. O que podemos desejar é que cada vez mais mulheres possam ter acesso a exames preventivos como os realizados por Jolie e que possam gerar efeitos positivos como esse em sua comunidade. 😉

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