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Ciência curiosa

Bullying traumatiza por mais de 40 anos

Desde que a palavra bullying entrou no vocabulário brasileiro, parece que o assunto não sai de pauta. A constante discussão acerca do tema mostra que o problema já estava entre nós há muito tempo, só não era ainda devidamente nomeado e analisado. Para nosso benefício, no exterior a coisa é diferente, e o bullying é tema de estudo há décadas. Acabam de ser divulgados, por exemplo, os resultados de uma pesquisa que durou quarenta anos e concluiu o que todos já podíamos imaginar: sofrer agressões na infância pode gerar problemas persistentes na vida adulta.


O colégio costuma ser o local onde o adolescente enfrenta as maiores dificuldades
[FONTE: sott.net

No primeiro estudo de longo prazo a respeito do assunto, publicado no American Journal of Psychiatry, foram acompanhados 7.771 britânicos nascidos na mesma semana de 1958. Os pesquisadores consultaram os pais das crianças de seus sete a onze anos de idade para saber se elas eram vítimas de agressões sistemáticas. Quarenta anos depois, buscaram essas crianças para entender como as experiências da infância haviam influenciado suas vidas.

As conclusões são um sinal de alerta para pais e educadores: o bullying deixa cicatrizes emocionais e tem consequências de ordem social, econômica e de saúde. As crianças que sofreram nas mãos de seus colegas apresentaram maior risco de depressão, menos capacidade cognitiva, menor grau de satisfação com a vida e tinham menos chances de desenvolver um relacionamento duradouro.


Agressões verbais, mesmo que não deixem cicatrizes no corpo, também são bullying
[FONTE: life of a female bible warrior

É claro que há muita subjetividade em uma pesquisa de tamanha dimensão, mas os cientistas se esforçaram para minimizar as distorções considerando, além do bullying, fatores como QI, problemas de comportamento e envolvimento dos pais, tentando contabilizar nos resultados apenas os casos em que o bullying foi um fator decisivo para os problemas do adulto. Os resultados vão ao encontro do que disse Luísa F. Habigzang em entrevista ao BlogA, que ressaltou como as agressões “afetam a autoestima e a percepção de autoeficácia e [as vítimas] podem desenvolver depressão”.

Autora do livro Trabalhando com adolescentes, Luísa defende o envolvimento das instituições de ensino no combate ao bullying. Ela também levanta uma questão que muitas vezes passa despercebida. Não é apenas a vítima que precisa de terapia para superar os traumas da violência, também o agressor deve ser tratado para não repetir o comportamento no futuro. Um estudo ainda mais profundo sobre o tema, que vai interessar não apenas aos pais de crianças e adolescentes, mas a pessoas de todas as idades, está na obra Bullying: estratégias de sobrevivência para crianças e adultos.

A partir de estudos de caso de bullying cibernético, as autoras Jane Middelton-Moz e Lee Zawadski examinam os aspectos da hostilidade explícita e proporcionam um plano para dar fim a ela. Assim como, infelizmente, o bullying pode ocorrer em qualquer fase da vida, a superação de traumas e a construção de um futuro diferente também podem começar a qualquer momento. Por exemplo, agora mesmo :)

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