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Inspiração da semana

Brincadeira contemporânea

De um lado, um artista multidisciplinar, satírico, ativista político e inteiramente anônimo. Do outro, um brinquedo extremamente popular, que atravessa os anos sendo sucesso absoluto entre crianças e adultos, uma marca sacramentada no mercado. Juntam-se os dois: será que sai boa coisa? Boa não, ótima. O fotógrafo norte-americano Jeff Friesen resolveu unir essas duas referências tão distintas para criar uma divertida série que faz releituras das intervenções urbanas do grafiteiro britânico Bansky em pecinhas de Lego. E é essa mistura de ironia e brincadeira de criança que nos inspira no dia de hoje.


A versão de Lego do famoso The Girl with the Balloon não foi sua única atualização: o próprio Bansky fez uma releitura, em 2011, em suporte às vítimas da crise na Síria.
[FONTE: The Brick Fantastic]


O original conta com uma mensagem positiva: there’s always hope (sempre há esperança) está escrito no muro.
[FONTE: Fo]


Flower Thrower (algo como o jogador de flores), de 2003, é uma das obras mais famosas de Bansky e, na versão Lego, o jogador ganha um alvo para seu buquê.
[FONTE: The Brick Fantastic]


O original localiza-se em Jerusalém e foi finalizado em 2003. Toda a obra é feita em preto e branco, exceto pelas flores coloridas, e é uma mensagem de paz em uma zona de guerra. 
[FONTE: Upgrade]


Embora não costume fazer trabalhos comerciais, Bansky criou a série Think Tank para o álbum homônimo da banda britânica Blur. Na versão Lego, o casal tem companhia em sua excentricidade.
[FONTE: The Brick Fantastic]


Na ocasião, Bansky afirmou que fazer um trabalho pago para algo em que acredita o torna menos comercial. Na capa do disco, os pombinhos estão abraçados.
[FONTE: Rocksucker]


O anarquista da mamãe é um dos grafittis mais conhecidos de Bansky. Iconoclasta, sim. Filho de chocadeira, jamais. 
[FONTE: The Brick Fantastic]


Algumas interpretações dão conta de que a mensagem da obra é sobre a aceitação das escolhas dos filhos por parte dos pais. Será?
[FONTE: Stencil Revolution]

Essas adoráveis reproduções, cheias de significado e, ao mesmo tempo, descoladas, são o encontro da art pop com street art, duas vertentes da arte contemporânea, que costuma ser polêmica. O próprio Bansky é considerado gênio por uns, vândalo por outros. É o senso crítico e o background de cada um que ajudarão a compreender ou a apreciar a mutante arte contemporânea. Para trazer o público ao debate e à sua compreensão, Terry Barrett escreveu A crítica de arte – como entender o contemporâneo. Por meio de seu discurso, o leitor poderá decidir de que lado está: Bansky, um herói pós-moderno ou apenas um destruidor do patrimônio público? Reproduções em Lego: fofas ou muito fofas? 😉


Na legolândia, ninguém fica sozinho. Até mesmo o Haring Dog ganhou um ouvinte para suas latidas.
[FONTE: The Brick Fantastic]


Em sua obra original, Bansky havia homenageado o falecido artista gráfico e ativista Keith Haring, fazendo com que seu personagem levasse um de seus famosos cachorros pra passear.
[FONTE: Stencil Revolution]


Para desespero da rainha, a guarda real de Bansky não só picha muros como faz suas necessidades em locais inadequados. Na legolândia, porém, eles são um pouco mais adoráveis em sua desobediência.
[FONTE: The Brick Fantastic]


O soldado original é anarquista e não está nem aí para a ordem.
[FONTE: Nic Neg]


Será que a popularidade da versão Lego pode aumentar a aceitação de todas as formas de amor? Nem mesmo a arte de Bansky ficou imune ao crime de ódio.  [FONTE: The Brick Fantastic]


Em 2007, dois homens foram condenados a meses em liberdade condicional por cobrir com tinta preta a obra Kissing Policeman em Brighton, na Inglaterra.
[FONTE: Art we love]


A referência dentro da referência: Bansky homenageou uma cena clássica de Pulp Fiction, substituindo as armas por bananas.
[FONTE: The Brick Fantastic]


Dessa vez, há pouca diferença entre inspirador e inspiração, exceto pelo fato de que, na legolândia, as versões de Travolta e Jackson estão in loco, apontando suas bananas para outrem.
[FONTE: Brownos]

As cenas retratadas por Friesen na série Bricksy (em inglês, as pecinhas de Lego são chamadas de bricks, ou seja, tijolos, e o nome da série brinca misturando o nome dos tijolinhos ao do artista homenageado) trazem sempre pequenas mudanças em relação aos originais de Bansky. O fotógrafo acredita que tem algo de irresistível em transformar intrépidas cenas urbanas com peças tão clean e modernistas como as de Lego. Uma interpretaçãozinha aqui, um toque pessoal ali e a releitura ganha seu próprio contexto. Mas essa é a graça da arte nos dias de hoje, não é? Cada vez que uma pessoa olha, enxerga uma história diferente. 

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