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A cidade hackeada pela arte

Ao falar sobre o seu trabalho artístico, o norte-americano Brad Downey conta um de seus objetivos: “hackear a cidade”. O artista, que desponta como um dos novos expoentes em intervenções urbanas, mistura estética com truques que deixam o espectador coçando a cabeça. Brad é uma espécie de mestre da gambiarra urbano-artística e nós não poderíamos deixar de admirar suas criações! :)

Contando com a ajuda de coletivos ao redor do mundo e eventuais museus de arte contemporânea, as invenções de Brad – como este genial banco de patins – já figuraram em países como Alemanha, Polônia, Áustria, Dinamarca, França, Itália e Portugal, entre outros. Seus materiais são os mais variados e, por vezes, buscam não apenas criar, mas desvendar criações ocultas por camadas de tinta, como o grafite abaixo:

Brad encontrou esse prédio em Lisboa e decidiu recuperar a inscrição que havia na parede. Para isso, recorreu precisamente ao que os governos municipais costumam usar para cobrir grafites: tinta cinza. Mas ao invés de tapar o spray, ele decidiu tapar todo o resto. O resultado é uma frase que se destaca na parede sem cor. A comparação entre antes e depois você pode conferir no site do artista.

Além de criativo, Brad também consegue ser bastante inconveniente. Na foto acima, ele empregou um considerável esforço para reposicionar a bicicleta de um desconhecido em um poste das ruas de Essen, na Alemanha. O artista ganha mais uma travessura em seu portfólio, e o dono da bicicleta deve estar até hoje destilando rancor contra a arte contemporânea

Mas enquanto o bicicleteiro acima foi um incauto inocente, o mesmo não se pode dizer da marca Lacoste. Em sua comemoração de 75 anos em Berlim, a loja convidou onze artistas para que criassem uma vitrine comemorativa, e alguém teve a brilhante ideia de chamar Brad Downey para o serviço.

Não sabemos quantos estagiários terão sido demitidos por isso, mas Brad teve a sensibilidade de dizer a todos que não se preocupassem: a tinta verde nas vitrines é a velha guache para crianças. O pior de tudo é que a autoria da ação só veio à tona depois que a Lacoste chamou a polícia para denunciar o “vandalismo”. Chato, hein?

O tipo de manipulação da foto acima é outra assinatura de Brad. Reorganizando estruturas urbanas, o artista cria novos cenários lúdicos que nos fazem pensar sobre o papel da cidade na nossa vida. Basta ser um espaço para morar? Ou a cidade deveria ser alegre, interessante, cheia de graça? A gente acha que sim, e nem se importaria de enfrentar o desafio de cruzar essa trama de vassouras na Itália:

Brad também é adepto das performances. Em seu site, de onde saíram todas as fotos deste post, você pode ver o relato da performance 7 Days. Durante uma semana, Brad realizou uma tarefa diferente por dia, desde se alimentar de restos de comida deixados em pratos de restaurantes até passar o dia pendurado em uma árvore. Esquisito, mas não é que dá vontade de seguir algumas sugestões dele e tentar reproduzir o projeto em nossa própria cidade?

Brad é uma das provas vivas de que a arte contemporânea caminha com transformações rápidas e, muitas vezes, estranhas aos olhos de quem não está preparado para ampliar o conceito de arte. Para responder à pergunta “como e por que a arte muda e se desenvolve?” ou, ainda, para criar novas perguntas, o livro Os Usos das Imagens reúne ensaios do mestre Ernst Gombrich, que analisa obras-primas da arte ocidental. Com bom humor e sagacidade, o autor não foge de questões complicadas, como os aspectos sociais da arte. Um prato cheio tanto para quem adorou o trabalho de Brad como para quem está se perguntando desde quando vassouras viraram arte.

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